Javier Solana

Javier Solana

A voz necessária do sul global

Enfrentamos a maior cascata de crises nas nossas vidas", declarou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no seu discurso na abertura da reunião de alto nível da Assembleia Geral da ONU para líderes dos seus 193 países membros. No que respeita a duas dessas crises - alterações climáticas e a pandemia de covid-19 - foram os líderes dos países mais pequenos e em vias de desenvolvimento, e não os das grandes potências mundiais, que tiveram as histórias mais dramáticas para contar.

Javier Solana

Uma dose de eurorrealismo

A narrativa está a tornar-se um tropo: os Estados Unidos e a China estão a travar uma batalha pela supremacia global numa infinidade de campos como a tecnologia, o comércio, a defesa, o ciberespaço e até mesmo no espaço sideral. Poucos especialistas questionam o consenso geral de que as relações sino-americanas moldarão a história do século XXI. Mas analisar o cenário geopolítico de hoje como um subproduto de uma corrida a dois é completamente simplista e antiquado.

Opinião

Pôr o século XXI no caminho certo

A maioria dos leitores lembrar-se-á do grande entusiasmo com que recebemos o início do século XXI. Foi uma época de grandes esperanças, editoriais grandiloquentes e uma ousadia verdadeiramente sentida por parte do Ocidente. No entanto, num piscar de olhos (historicamente falando), o espírito da época mudou radicalmente, mesmo antes da pandemia de covid-19. Para grande parte do mundo, este século foi um período de frustração e desilusão. Muitos olham agora para o futuro não com confiança, mas com medo.

Opinião

O reverso da integração euro-atlântica

Muitas pessoas equiparam a União Europeia à Europa, ignorando algumas pequenas diferenças pelo caminho. Claro que do ponto de vista histórico é evidente que a UE, tendo contribuído para acabar com séculos de guerra e conflitos violentos entre os seus Estados membros, encarna hoje em dia a antítese da Europa anterior a 1945. E, em termos geográficos, os sucessivos alargamentos da UE permitiram que esta refletisse, muito mais fielmente do que nunca, a extensão total do continente europeu.

Javier Solana

A ordem mundial revista

Como muitos analistas observaram já, a Pax Americana das últimas décadas está em fim de vida. Após os primeiros 150 dias da presidência "América Primeiro" de Donald Trump - ou, com mais precisão, "América Sozinha" -, parece que o tradicional papel estabilizador dos Estados Unidos não pode mais ser visto como um dado adquirido. Com a erosão da primazia dos EUA na arena internacional - e, consequentemente, do estatuto da América como a "nação indispensável" do mundo -, outros estados e, até, atores não estatais estão a ganhar destaque. O que significa isto para a chamada ordem liberal internacional?