Igreja Católica

Entrevista DN/TSF - D. José Ornelas

"Em Setúbal há um aumento de pessoas que pedem alimentos. Era gente que tinha a vida arrumada"

O presidente da Conferência Episcopal, e bispo de Setúbal, insurge-se contra fenómenos tradicionalistas em ascensão na Igreja portuguesa, como o regresso das missas em latim. "Há um certo fetichismo nisso tudo". "É como no Carnaval: se não temos tempo ou dinheiro para comprar uma máscara, desenterramos a do passado."

Anselmo Borges

Desconfinar a Igreja (4)

1. Também se aplica à Igreja, e compreende-se que de modo particular à Igreja, tantas são as expectativas em relação a ela: dá-se eco, sobretudo nos media, ao que é negativo, aos erros, aos crimes, aosescândalos... Quem pode negar tudo isso? Mas o que a Igreja fez e faz de positivo é mais: promoção das pessoas, combates pela sua dignificação, infindáveis iniciativas de caridade e cultura... Também agora, nesta calamidade pandémica. Quantos políticos portugueses, se quiserem ser honestos, terão de estar de acordo com as palavras do alcaide de Madrid, José Luis Martínez Almeida: "A acção da Igreja foi fundamental, como o é na vida quotidiana."

Anselmo Borges

Desconfinar a Igreja (3)

1. A crise pandémica faz-nos tomar consciência de outras crises: económica, social, ecológica, moral... E fala-se pouco dela, mas a crise mais profunda é a crise de Deus. Já Karl Rahner, um dos maiores teólogos do século XX, perguntava: o que aconteceria se a simples palavra "Deus" deixasse de existir? E respondia: "A morte absoluta da palavra 'Deus', uma morte que eliminasse até o seu passado, seria o sinal, já não ouvido por ninguém, de que o Homem morreu." Vaclav Havel, o dramaturgo e político, pouco tempo antes de morrer, surpreendeu muitos ao declarar que "estamos a viver na primeira civilização global e também vivemos na primeira civilização ateia, numa civilização que perdeu a ligação com o infinito e a eternidade", temendo, também por isso, que "caminhe para a catástrofe".