Henrique Burnay

Henrique Burnay

A construção do interesse europeu

A Europa precisa de reforçar as suas capacidades de defesa e assumir maiores responsabilidades pela sua segurança, declararam os chefes de Estado e de governo da União Europeia, no final do Conselho Europeu da semana passada. Ao mesmo tempo, três antigos primeiros-ministros europeus sugeriram, num editorial publicado num daqueles jornais que só se leem em Bruxelas, que a Alemanha cancelasse o projeto Nord Stream 2 (o gasoduto que a ligará à Rússia) e que os restantes europeus indemnizassem os alemães pelos custos dessa decisão, fundamental para o que defendem dever ser a política europeia face a uma das suas maiores ameaças: a Rússia.

Henrique Burnay

Um problema à distância

Apesar de a política europeia estar frequentemente refém de eleições nacionais - coisa de que os europeístas se queixam muito -, o resultado das presidenciais portuguesas é praticamente irrelevante para o destino da Europa. Por um lado, porque o vencedor faz parte do desconhecido Grupo de Arraiolos, que de tempos a tempos junta os chefes de Estado que não têm competências em matéria de política europeia, mas que, ainda assim, gostam de se encontrar. Por outro, porque nunca houve, e continua a não haver, uma questão europeia nas eleições presidenciais portuguesas. Nem nas restantes, nos últimos anos. Mas começa a haver um problema.

Opinião

Direitas diferentes

Considerar que a "democracia iliberal" de Orbán, a polarização radical da América, por Trump e as suas interpretações nacionais, não fazem parte do mesmo espaço que o centro-direita e a direita liberal e conservadora devia ser banal. A divergência, razoável, devia ser sobre como lidar com isso. Pela Europa fora experimentaram-se várias fórmulas, sendo evidente que não há só uma que seja eficaz. Mas a maioria coincide num propósito: neutralizar os radicais. Em Portugal, alguma reação, à direita, à publicação do manifesto "A clareza que defendemos", revelou que há quem não sinta o incómodo dessas companhias. É esse o problema.

Henrique Burnay

Uma potência franco-alemã

Nas últimas semanas Merkel e Macron definiram, em conjunto ou em acordo, o essencial da agenda europeia. Da proposta de um plano de recuperação à reação possível à Bielorússia e ao Líbano (onde a explosão no porto ainda pode acabar a fazer implodir o regime), Alemanha e França ditaram os termos das respostas europeias. Alguns viram nisto o regresso do eixo franco-alemão que ditou o destino da Europa nos anos 1980 e 90, e sempre que alguma coisa de fundamental acontece. Em parte é isso, mas há mais ambição.