Guilherme d' Oliveira Martins

Guilherme d' Oliveira Martins

No coração de Portugal…

Falávamos normalmente dos mais diversos temas, mas naquele dia deu-me conta de um projeto novo que o entusiasmava, a produção de queijo da serra, seguindo por métodos modernos uma tradição antiga, nas pisadas de seu avô. E pediu-me que recolhesse elementos sobre as origens antigas desse precioso alimento, que para muitos é o melhor queijo do mundo. Conversámos longamente e verifiquei que o Jorge sabia praticamente tudo o que era relevante. Como era seu hábito, já planeara a ação até ao ínfimo pormenor. Apenas desejava reforçar o valor do património cultural - permitindo aos futuros consumidores a consciência de que beneficiavam de uma experiência única. No fundo, disse-mo tantas vezes, com a argúcia e a inteligência conhecidas, e nunca encontrei melhor definição, a cultura reúne o que recebemos das raízes, da memória e da herança dos nossos antepassados, à capacidade de fazer da vida um fator de permanente aperfeiçoamento. E, não por acaso, a etimologia da palavra cultura, que usamos, tem que ver com o campo, no qual semeamos e colhemos. Para cultura do espírito, os gregos falavam de paideia e os latinos de humanitas - e o Jorge ao lembrar Mangualde dos seus antepassados, fazia-o sentindo o mais puro património, genético e imaterial, com que se constrói a cultura moderna.

Guilherme d' Oliveira Martins

Lembrar um conto popular…

Importa sensibilizar os portugueses para a tomada de consciência da necessidade de uma proteção solidária. Como disse o Presidente da República, muito bem, a primeira prioridade é o combate da pandemia. Importa cerrar fileiras para enfrentar o perigo real com que o mundo se defronta. Não está em causa a liberdade e o direito, mas o respeito mútuo de uma cidadania livre e responsável. Daí a necessidade de uma maior coordenação nacional, europeia e internacional e de medidas excecionais que correspondam ao que o direito designa como estado de necessidade, em nome da preservação da vida de muitas pessoas.

entrevista

Marcelo "tem agido dentro dos limites constitucionais"

Guilherme d'Oliveira Martins aceitou o convite do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, para coordenar as comemorações do bicentenário do constitucionalismo português, tendo como ponto de partida a revolução liberal que teve lugar no Porto em 1820 e a aprovação da "nossa primeira Constituição" em 1822. Em entrevista ao DN, o administrador da fundação foi à História de Portugal para melhor explicar o presente. E é nesta interação que também quer que aconteçam as comemorações, como explica logo a abrir, a partir de Jaime Cortesão, médico, escritor, político e historiador.