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Poesia. O lado B da atriz Sónia Balacó

Anda sempre acompanhada de um caderno e uma caneta não vá um pensamento ou uma ideia se perder. E não são raras as vezes que pára no meio da rua para escrevinhar. Poesia, sobretudo. Este é o lado B da atriz e modelo Sónia Balacó. A poesia que tanto gosta e a que a acompanha desde que se lembra. "Não sei o que é viver sem escrever poesia. Era uma miúda estranha muito solitária, não me dava com os outros miúdos, e a escrita surgiu desse espaço de solidão e aborrecimento", conta ao DN. Era aí nesse espaço de aborrecimento que inventava e escrevia histórias, peças de teatro e, claro, a poesia, pela necessidade de fotografar com palavras "a descoberta de um lugar novo na minha cabeça". Não gosta de seguir temáticas pré-definidas, prefere a liberdade absoluta da página em branco e na possibilidade de experimentação. "Acredito que o poema vem antes da palavra, é um encontro que existe com algo invisível, e a poesia é a tentativa de captar esse momento", explica a atriz que é rosto frequente em editoriais de moda, na televisão e no cinema - recentemente participou em Variações (2019) de João Maia e Ordem Mural (2020) de Mário Barroso. Sobre autores preferidos há um rol, mas Fernando Pessoa é o primeiro que refere.

Joaquim de Seabra Pessoa (1850-1893)

O pai de Fernando Pessoa era o crítico musical do DN

Interrogava-se a autora de uma tese de mestrado defendida em Coimbra há uns anos se "teria Fernando Pessoa preferido a arte musical dos sons à arte literária se não tivesse perdido tão precocemente, ainda na infância, o pai, Joaquim de Seabra Pessoa, amador e crítico de música". Sim, são muitas as incógnitas sobre o que teria sido a vida do poeta se aos 5 anos, morando ainda na casa no Largo de São Carlos onde nascera, não tivesse ficado órfão de pai, esquecendo pouco a pouco os momentos passados com o pai funcionário público quando este regressava já tarde da redação do Diário de Notícias, ali perto, no Bairro Alto, pois fazia crítica musical no jornal.