Editorial

Rosália Amorim

Enfrentar as gigantes, sem medos!

Na Europa, a comissária Margrethe Vestager tem sido o rosto do combate à hegemonia das grandes tecnológicas. Com coragem, determinação e medidas de punição, a comissária da Concorrência tem dado o corpo às balas em defesa dos direitos de autor, liberdade de informação, justiça fiscal e combate a monopólios e duopólios. Já veio, aliás, a Portugal falar disso e mais do que uma vez, numa delas foi oradora no palco da Web Summit, onde explicou, precisamente, porque o paradigma deve mudar.

Leonídio Paulo Ferreira

Os Jogos de Tóquio não são um jogo da Nintendo

Shinzo Abe, vestido de Super Mario, heróis dos jogos de vídeo da japonesa Nintendo, foi uma improvável estrela dos Jogos Olímpicos 2016. No Rio de Janeiro, na passagem de testemunho para Tóquio 2020, o primeiro-ministro enviava ao mundo a mensagem clara de que pretendia que 2020 fosse uma celebração da pujança económica reencontrada do Japão. Uma versão no século XXI dos Jogos de 1964, igualmente realizados em Tóquio, que serviram para exibir o Japão do milagre económico, renascido das cinzas da Segunda Guerra Mundial.

Joana Petiz

Tudo isto que já nos cansa

A serenidade de Marcelo Rebelo de Sousa tem-lhe rendido pontos de refúgio nos últimos tempos, mas mesmo isso não chegou para evitar o cansaço que os portugueses demonstram sentir em relação aos seus líderes políticos. E se é verdade que o Presidente da República continua a ser querido pela maioria, o barómetro que se publica aqui é bem revelador do limite a que os portugueses estão a chegar. E que se traduz num claríssimo cartão vermelho a António Costa e ao seu governo - com destaque para um ministro da Administração Interna que, dia sim dia não, é notícia pelos mais inacreditáveis motivos, e para uma ministra da Saúde semidesaparecida em ano e meio de pandemia, que de quando em vez aparece em programas de entretenimento a anunciar as suas resoluções para a pasta. Mas há também um alerta bem presente à oposição, com Rui Rio à cabeça do infeliz cortejo, graças à surpreendente capacidade do líder social-democrata de sempre cavar mais fundo o buraco em que meteu o PSD.

Rosália Amorim

Dinheiro não traz felicidade, mas pode ajudar

"O primeiro cheque chega nas próximas semanas." Esta é a frase que o país queria ouvir relativamente à chegada dos fundos da bazuca e que foi proferida ontem pelo ministro das Finanças, João Leão. Com a economia a travar a fundo, devido à variante Delta da covid-19 e às restrições que a pandemia exige, os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência poderão ser uma espécie de balão de oxigénio. O plano nacional foi ontem validado na última etapa de aprovação. Boas notícias para Portugal!

Rosália Amorim

Cuba e o governo. Livres ou aprisionados?

Cuba livre ou Cuba aprisionada? As fortes manifestações que encheram as avenidas de Havana e outras ruas em várias cidades do país farão parte dos livros de História. Na nação de Fidel Castro nada disto estava previsto ou seria admitido. Na atual, cuja transição é apenas uma nuance, também não. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel apressou-se a deitar culpas nos Estados Unidos, acusando o país de Joe Biden de querer uma "mudança de regime" e de ter estratégias para desestabilizar Cuba. Quando, na verdade, o povo tem fome, não tem emprego - até porque o turismo fechou as portas e nas últimas largas décadas tem sido o grande ganha-pão da ilha - e da agricultura ou da indústria pouco ou nada resta.

Rosália Amorim

O melhor está mesmo debaixo dos nossos olhos

Os portugueses são sempre muito críticos em relação ao seu próprio país. Lá fora são os seus maiores defensores, e bem. Cá dentro, gostam tantas vezes de carpir. Mas, mesmo com a pandemia de novo num ponto alto de contágios por covid-19, a nação não perdeu as qualidades que já tinha em termos de requisitos que a fazem pontuar bem nos rankings da qualidade para viver. Por isso, os vistos gold continuam a ter procura. Ainda que tenha baixado o registo de pedidos devido à crise sanitária mundial, há ainda muitos interessados e, sobretudo, novas nacionalidades improváveis à procura de um lugar ao sol em Portugal. A este propósito vale a pena ler o artigo da jornalista Céu Neves. O atrativo está também na fiscalidade, claro. Mas esta não deixa de ser uma boa notícia para quem trabalha em construtoras e imobiliárias.

Rosália Amorim

Os velhos do Restelo e os novos tempos em Belém

Termina hoje a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (PPUE). Foram seis meses desafiantes em que muitos dos planos foram alterados por culpa da pandemia. As grandes conferências, os encontros de líderes, os momentos protocolares, passaram, tantas vezes, do ambiente presencial para o digital. Esta foi uma presidência em controlo remoto. Ainda assim, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva - hoje em entrevista ao Diário de Notícias -, dá nota das várias metas alcançadas, sem deixar de responder às críticas de que a PPUE tem sido alvo.

Rosália Amorim

"O mundo pula e avança, como bola colorida"

A Bélgica é o próximo adversário, em Sevilha, no Campeonato Europeu de Futebol. Diante da França, ontem à noite, Fernando Santos fez duas mudanças em relação à equipa nacional derrotada diante da Alemanha na última jornada: William Carvalho e Bruno Fernandes cederam espaço a João Moutinho e Renato Sanches. As alterações deram resultado. Portugal empatou com a França, por 2-2. É caso para dizer que vale a pena mexer em peças-chave, sem tabus, para obter resultados diferentes do passado. No jogo do Europeu, a grande estrela foi também Rui Patrício, uma águia a defender a seleção, por duas vezes, de forma impressionante. Do melhor que se viu nos últimos anos em futebol, num jogo de nervos em que a experiência e o bom senso imperaram.