Editorial

Editorial

"Há estrada para andar", exceto se cair o sinal vermelho

"Há vida além do curto prazo", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, esta semana. O Orçamento tem chumbo anunciado, mas a negociação não terminou, dizem o governo e os partidos de esquerda. "Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance" garantiu ontem António Costa no Parlamento. "Tudo faremos para obter um acordo, mas não a qualquer preço", avisou. "Pedem-nos um passo de mágica, mas não há passos de mágica que permitam" alcançar o que o PCP ambiciona. Costa assegura que no governo"não fazemos chantagens, ultimatos ou fechamos portas ao diálogo" e disponibiliza-se para na discussão na especialidade dar atenção às matérias pendentes ou extraorçamentais, como a legislação laboral. Resta saber se a mensagem é suficiente para conseguir viabilizar as contas do país para o próximo ano.

Rosália Amorim

"Busca do prestígio" pode ser "doença do espírito"

A sabedoria e a forma como usa as palavras continuam a surpreender-nos. O Papa Francisco fez referência aos três ataques que ocorreram nos últimos dias, em três países, e veio lembrar ao mundo que "a violência é uma derrota para todos", durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, no Vaticano, em Roma. O Papa referiu-se ao ataque de quarta-feira na cidade norueguesa de Kongsberg, quando um homem armado com um arco e flechas matou cinco pessoas; ao atentado suicida contra uma mesquita xiita no sul do Afeganistão, que causou pelo menos 60 mortes; e ao assassínio do deputado conservador britânico David Amess, na sexta-feira, quando estava a reunido com eleitores do seu círculo eleitoral, no leste de Inglaterra.

Rosália Amorim

OE 2022. Leão, Asterix e a poção mágica 

O Orçamento do Estado está entregue e apresentado, em modo corrida-estafeta. A famosa pen foi entregue no Parlamento a 23 minutos do prazo estipulado (meia-noite de dia 11) e logo de manhã (pouco depois das 9h) o seu conteúdo estava a ser explicado aos jornalistas na Praça do Comércio. João Leão, qual Asterix, parece ter tomado a poção mágica do otimismo, que combina algum expansionismo com controlo do défice (3,2%) para 2022. Mas, ao olharmos para o caldeirão do Orçamento, será a dose realista ou moderada?

Rosália Amorim

Não é tempo para ilusionismos

O país respira mais confiança. O turismo está de regresso e tem futuro neste território à beira-mar plantado. Nas ruas, de norte a sul, voltamos a ver e a ouvir os turistas a puxarem os seus trolleys, a agitação dos tuk-tuks, aviões no ar e, no caso de Lisboa, os cruzeiros de grande porte já voltaram a atracar no rio Tejo. O mesmo está a acontecer nos arquipélagos dos Açores e da Madeira que, neste ano, foram redescobertos pelos lusitanos e atraem cada vez mais estrangeiros. Sim, o turismo tem futuro e as exportações nacionais agradecem! Há muito caminho para fazer, mas cada vez com "mais sustentabilidade", como afirmou Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, na conferência "Pandemia, e depois? A sustentabilidade como resposta", que decorreu nesta quinta-feira, em Cascais.

Leonídio Paulo Ferreira

Sete ministras, sete (e duas chamam-se Fatima)

Mesmo quem pouco sabe de árabe conseguirá identificar com facilidade vários nomes de mulher na lista dos ministros marroquinos a quem Mohammed VI deu ontem posse, até porque duas delas se chamam Fatima, nome da filha do profeta e muito popular no mundo islâmico. Assim, além de Fatima Ezzahra Mansouri, ministra da Gestão Territorial e do Urbanismo, e de Fatima-Zahra Ammor, ministra do Turismo, há que contar também com Nadia Fetah Alaoui, Nabila Rmili, Leila Benali, Aouatif Hayar e Ghita Mezzour. No caso de Fetah Alaoui e de Rmili, as pastas que assumem são de especial importância, pois a primeira terá a responsabilidade pela Economia e Finanças de um país que joga forte na diversificação do tecido produtivo (é a quinta economia de África) e a segunda terá sob sua responsabilidade a Saúde numa altura em que a pandemia dá finalmente sinais de ceder, com a vacinação a avançar, depois de um duro ano e meio.

Leonídio Paulo Ferreira

Tintin, um grande belga

Graças à ambição desmedida de Leopoldo II, que agiu a título individual, a pequena Bélgica acabou por se dotar, no final do século XIX, de um enorme império colonial, a atual República Democrática do Congo, também conhecida por ex-Zaire ou por antigo Congo Belga. E enquanto, até 1908, o território foi propriedade pessoal do monarca, sob o nome de Estado Livre do Congo, ganhou fama de exercer uma violência sobre as populações africanas que batia a de qualquer outra colónia detida por europeus. O lucro era o objetivo, e quase tudo valia para se maximizar esse lucro, como afirma o americano Robert Harms, autor do agora publicado em Portugal Terra de Lágrimas, uma história da colonização da África Equatorial, em grande medida o tal Estado Livre do Congo.

Leonídio Paulo Ferreira

Atenção ao homem do SPD

Com os trabalhistas britânicos remetidos ao mais pequeno grupo parlamentar desde 1935, o Partido Socialista francês também em mínimos históricos e o Partido Democrata a ser apenas a terceira força em Itália, o triunfo do SPD nas legislativas alemãs de domingo significa a possibilidade de voltar a haver um governo de um dos quatro grandes países da Europa Ocidental chefiado por alguém do campo social-democrata. Para isso será necessário que Olaf Scholz transforme os magros 25,7% da sua vitória nas urnas (mesmo assim uma subida de 5,2 pontos percentuais em relação a 2017) nos alicerces de uma coligação que o leve a chanceler, substituindo a democrata-cristã Angela Merkel, de quem era até agora ministro das Finanças, no quadro de uma aliança governamental que durava há oito anos.

Rosália Amorim

Efeitos inesperados de más decisões políticas

O mundo tem os olhos postos nos preços das matérias-primas. A escalada tem vindo a acentuar-se nos últimos meses e a preocupação aumenta a cada semana que passa. Agora é a vez de o petróleo voltar a subir. O custo do barril cresceu 3% e atingiu, ontem, o valor mais alto de três anos. Mais: é a primeira vez, desde 2018, que o crude ultrapassa a barreira dos 75 dólares por barril. O petróleo do Texas (WTI) atingiu 75,93 dólares por barril (cerca de 63,9 euros), para contratos futuros para entrega em agosto. Há uma espécie de linha psicológica que foi ultrapassada e que está a preocupar os agentes económicos e, claro, os consumidores, que têm de abastecer os depósitos dos seus automóveis regularmente.

Rosália Amorim

Reflexão. Para quê e sobre o quê?

Hoje é dia de reflexão para os eleitores meditarem sobre o sentido de voto nas eleições autárquicas deste domingo e para terminarem as campanhas partidárias. É assim que está convencionado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e acordado entre partidos e órgãos de soberania, desde os tempos idos dos comícios cheios de cidadãos empenhados e de militantes ativos, no último dia de campanha eleitoral. Na véspera das eleições, podemos escrever e falar sobre tudo, exceto sobre as propostas dos candidatos, seja autárquicas ou legislativas, seja presidenciais ou europeias.

Opinião

O bater de asas dos submarinos

Pode a China, sem dar um passo, provocar elevada tensão entre potências aliadas ocidentais, como os Estados Unidos da América e a França? Ao que tudo indica, sim. E o presidente francês, Emmanuel Macron, não teve com meias medidas: chamou a Paris os embaixadores em Washington e Camberra como sinal de protesto pela aliança EUA/Reino Unido/Austrália para a região Indo-Pacífico implicar a compra, pelas autoridades australianas, de submarinos nucleares de fabrico norte-americano, em vez de submarinos franceses a diesel.

Rosália Amorim

O que faria com o Euromilhões? E com um aumento salarial? 

Em conversas de amigos, por vezes, surge a pergunta: "o que farias se te saísse o Euromilhões?" As respostas são do mais divertido que há. Este verão um dos amigos respondeu apenas: "já ficaria feliz se o meu salário aumentasse, porque está congelado há mais de uma dúzia de anos". Esta é uma realidade que afeta uma grande fatia dos portugueses. Primeiro foi a grande crise financeira, depois a troika, a seguir o défice e agora a pandemia. Quando voltarão os portugueses a recuperar o seu poder de compra?