Editorial

Editorial

Proibir os carros para acabar com os acidentes

Mais de 300 mil acidentes de carro fizeram na última década meio milhão de feridos - grande parte deles em estado grave e com consequências para a vida - e milhares de mortos nas estradas portuguesas. São números negros que as associações que lutam pela segurança rodoviária realçam ano após ano, pedindo esforços adicionais na legislação, na fiscalização, na manutenção das vias e sinalética, na atenção das autoridades e até a colaboração dos construtores automóveis. E com efeitos crescentemente eficazes, porque aprendidos e incorporados na realidade - do uso do cinto de segurança aos airbags. O que nunca lhes passou pela cabeça foi pedir que se proibisse a circulação de veículos motorizados. Todos temos consciência de que seria medida artificial e de efeitos limitados ao tempo dessa proibição, um paliativo de efeito pífio que apenas poderia justificar-se enquanto resposta a uma situação urgentíssima, muito bem demarcada e limitada no tempo e no espaço - até mesmo pelo que implicaria de agressão a liberdades individuais.

Rosália Amorim

Só Agora Começou, escreve Sócrates

A Operação Marquês fez (e ainda vai fazer) correr muita tinta, não só nos jornais, mas num livro que em breve será publicado, da autoria de José Sócrates, e de que hoje damos conta, em primeira mão. Só Agora Começou é o título da obra do antigo primeiro-ministro. Tem prefácio de Dilma Rousseff, ex-Presidente do Brasil, e foi redigido antes de ser conhecida a decisão do juiz Ivo Rosa, através da qual ficámos a saber (na sexta-feira) que José Sócrates será levado a julgamento por seis crimes, e não 31, como ditava a acusação do Ministério Público.

Rosália Amorim

Uma nova era da liberdade

Abril é tempo de liberdade. De sair à rua, subir às chaimites - os dois momentos cruciais de Abril teriam como estrelas as chaimites de Salgueiro Maia, transformaram-se nos ícones da revolução portuguesa - e gritar: "Somos livres." Mas é também um tempo de cautela, serenidade e reinvenção. Começou ontem uma nova era de liberdade para os portugueses. Após dois confinamentos provocados pela guerra - ainda longe de estar ganha - da covid-19, os cidadãos saíram à rua para respirar, trabalhar, conviver e sentar-se numa esplanada. Gestos simples, mas dos quais têm sido privados.

Opinião

Se o Constitucional de Berlim desligar a ficha

Lei é lei", dizia há dias António Costa, a acompanhar o envio para o Tribunal Constitucional de três diplomas aprovados contra o governo por toda a Assembleia, menos o PS, e promulgados pelo Presidente da República. Justificava Marcelo, ele próprio constitucionalista, que os tempos de absoluta exceção poderiam permitir fechar os olhos por um momento a uma norma inscrita na Lei Fundamental em nome da estabilidade governativa e da gestão orçamental, numa época em que seria inimaginável vivermos uma pandemia como esta.

Leonídio Paulo Ferreira

Um espião não faz a Guerra Fria

Quando os serviços secretos britânicos decidiram em 1993 abrir os arquivos da era vitoriana (grosso modo, o século XIX), as páginas dos jornais londrinos encheram-se de rocambolescas histórias de espionagem e de episódios curiosos de compra de influência pelo Império, como a oferta de um elefante indiano ao imperador da Etiópia. Um dos documentos revelava um pagamento de duas libras a um diplomata em Génova, numa Itália recém-reunificada, por "informação naval atualizada", verba que hoje equivaleria a 135 libras ou 160 euros - nunca foi pago, afinal o espião limitara-se a copiar o que lera na imprensa.

Rosália Amorim

Uma vacina no braço e um verão normal na carteira

Neste sábado começam a ser vacinados os professores e funcionários das escolas. São 80 mil os profissionais que estão no alvo para este fim de semana, afiança o coordenador da task force da vacinação. O arranque desta etapa tão importante chega tarde, na medida em que o ensino presencial já arrancou há duas semanas para os mais novos e desde então esses recursos humanos - dedicados e responsáveis junto dos seus alunos, lutando para não deixar ninguém para trás - arriscaram a sua saúde para continuar a lutar pela sua paixão: a educação.

Rosália Amorim

Não tapar o futuro laboral com a peneira

O teletrabalho veio mesmo para ficar? Para alguns trabalhadores e empresas, sim; para uma população que desempenha funções em unidades industriais, agrícolas ou até comerciais, nem por isso. Há um país separado por duas realidades: um que não tem como ficar em casa - nem após mais um pedido do primeiro-ministro para o dever de recolhimento - e outro que o consegue fazer, mas, por vezes, com custos altos para si e para a família. E há os custos não mensuráveis, a nível psíquico e familiar, e depois há os quantificáveis: as contas de água, luz, internet e telefone que dispararam desde que o teletrabalho se impôs por força da pandemia, ou a fatura inerente à aquisição de material informático, porque nem sempre é fornecido pela entidade empregadora.

Editorial

Otimismo com incertezas

Uma revisão em alta do crescimento económico das maiores economias do mundo, para este ano, merece uma nota e reflexão. A revisão é significativa para alguns países. A Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Económico (OCDE) acredita que os Estados Unidos, a Alemanha e a Espanha vão acelerar. Os dois últimos são dos mais importantes parceiros comerciais de Portugal, o que poderá contagiar positivamente as exportações nacionais. Um bom sinal também para a captação de turistas provenientes destas duas nações.

Rosália Amorim

Escalada dupla: pandemia e desemprego

Portugal registou o número mais baixo de mortes desde 28 de outubro. Dados conhecidos ontem que fazem crescer a esperança de um tempo novo. Ainda assim, a DGS alertou para a possibilidade de mais uma escalada da pandemia. A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que Portugal pode voltar a enfrentar uma nova vaga de covid-19 nos próximos meses, mesmo com a campanha de vacinação em curso, e levantou dúvidas quanto à duração da imunidade e as mutações do vírus.