Daniel Deusdado

O desenho do confinamento: escolher entre mortes ou dívida

Daniel Deusdado

O desenho do confinamento: escolher entre mortes ou dívida

1. Os dados que a consultora PSE tem partilhado ajudam a explicar se a esmagadora maioria dos portugueses está a falhar neste segundo confinamento ou não. A resposta parece ser "não". No primeiro confinamento estavam em casa, em média, 65% a 70% dos portugueses. No domingo de Páscoa (12 de abril) chegou-se a um recorde: 79%. A verdade é que nas grandes cidades, onde os serviços imperam, a redução de atividade vê-se a olho nu (e nos telejornais). Mas não é assim onde predomina a indústria e a agricultura. Mais de um terço dos portugueses tiveram de trabalhar sempre, apesar da pandemia.

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Covid: Governo iô-iô dá cabo de tudo ao mesmo tempo

A frase de António Costa "não estamos no ponto que desejávamos estar" diz tudo. O Governo continua a ter intenções num processo que só compreende leis naturais. Como se não tivéssemos capacidade para agir com eficácia. O coronavírus é matemático, ultra-previsível. Se pode circular, circula. Não tem estados de alma. Portanto, uma vez mais, o Governo sabia antecipadamente que ia ter com grande probabilidade um resultado frouxo nesta altura... e conformou-se. Não quis atuar com mais força no início de dezembro. Resultado: destruiu o Ano Novo. É a enésima situação neste processo. É um método. Um método que já provou diversas vezes ser errado para uma pandemia.

Daniel Deusdado

Aceita pagar 10 cêntimos ​​​​​​​à viúva de Ihor Homenyuk?

Neste momento parece fácil bater em Eduardo Cabrita mas já aqui havia escrito que o ministro da Administração Interna devia ter saído muito antes - aquando do caso do escândalo das golas antifogo, durante o primeiro Governo socialista. Já nessa altura se percebia que não havia um "ethos" no ministério e que faltava noção do que ali passava. Este caso permite compreender, de novo, como foi tão fácil chegar-se à total bandalheira na qual agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) mataram uma pessoa acabada de chegar a Portugal e esconder o caso durante semanas. Um grau de inimputabilidade desta dimensão não sucede de um dia para o outro.

Daniel Deusdado

Há algum líder da direita ​​​​​​​que não se vá aliar ao Chega?

O crescimento do Chega em Portugal é igual ao sucesso de Trump nos Estados Unidos. Por mais que me custe, as opiniões de Ventura estão fadadas para o sucesso. A ideia de que os outros andam a "mamar" à NOSSA custa é transversal na sociedade - do taxista ao empresário, do reformado ao funcionário de shopping. Portugal está desejoso de um demagogo que berre a alto e bom som que vai arrasar o sistema onde a elite vive à grande e à francesa, por oposição à desigualdade, galopante, que grassa na vida real. Ventura tem razão em dizer que disputará taco a taco com Ana Gomes o segundo lugar nas Presidenciais. Pobre Marcelo, eleito bombo da festa.

Daniel Deusdado

Quanto vale o rio Tejo?

"Tejo: como matar um rio". O título estava na primeira página do DN de sábado e era desenvolvido em três páginas com a explicação: "O sal está a fazer um cerco a Lisboa". Num mundo de catástrofes, o prenúncio de morte do principal rio português é apenas uma notícia. Não mexe um ponteiro de emoção em quase ninguém, exceto nos pescadores e agricultores que vivem aquela vida pobre e típica de quem depende da mãe-natureza. Mas excetuando o efeito sobre eles, o Tejo é tão real no quotidiano dos lisboetas como um ecrã de televisão: uma imagem, um belo horizonte, uma mais-valia imobiliária. Quantas pessoas alguma vez tocaram no rio ou tomaram banho nele? O que lhes diz enquanto memória?

Daniel Deusdado

Este Natal é o nosso "11 de Setembro". "Go shopping!" Já. Por favor

Uma coisa é ver-se na televisão, outra bem diferente é experimentar a desolação dos aeroportos. Não apenas os aviões da TAP, em fila, nas pistas e parques do aeroporto da Portela, mas igualmente os próprios aparelhos das low-cost, sempre frenéticos, mas agora encostados algures. Pior: Munique, meio da tarde de quarta-feira. Entrar-se no terminal 2 da Lufthansa/Star Alliance, em pleno arranque de setembro, e não haver mais do que meia dúzia de pessoas a fazer check-in, significa que há uma gigantesca paragem da economia mundial a agravar-se. Conseguimos sobreviver economicamente a algo assim?

Opinião

Os média alertam, os políticos repetem, o povo assusta-se. A Covid não acaba?

Apesar de Graça Freitas ter dito que a situação de Lisboa está estável, o Presidente da República (de acordo com as notícias) veio mostrar preocupação e o PSD avançou que está também muito preocupado e quis, aliás, deixar em primeira mão a ideia de que Lisboa vai confinar qualquer coisa. A oposição, de esquerda e direita, não pode deixar de estar ainda mais preocupada porque percebem que os média estão a assinalar preocupação e isso é popular e prudente, e há um planalto de casos que não desce, e depois aqui e ali os sinais de desrespeito às regras de distanciamento social acontecem, com algo novo e muito preocupante. Tão preocupante que câmaras de televisão detetam (por medição laser, talvez) os incumprimentos da distância de segurança entre banhistas na praia de Carcavelos ou no abuso dos passeios à beira-mar ou ao Sol, sem quaisquer dúvidas. As consequências, como gostam de dizer, estão à vista: subida de casos - 304 ontem, sabe-se lá quantos hoje e amanhã (mas sempre menos à segunda-feira que o vírus não trabalha aos domingos).

Daniel Deusdado

Facto: 99,8% sem Covid-19. Surfar a curva achatada

Um longo mês, mas apenas um mês. Talvez a maior perplexidade desta crise Covid-19 seja o facto de não termos ainda chegado, sequer, aos 20 mil infetados em Portugal. São menos de 0,2 por cento da população segundo os números oficiais. O número é extraordinariamente bom pelo baixo número de vítimas (629), mas mantém-nos completamente dependentes de uma vacina que não existe. Até lá, a bomba-relógio está colocada nas mãos do Governo para a propagação provável do Outono-Inverno e o primeiro-ministro está consciente disso.