Couve-de-Bruxelas

Henrique Burnay

Direitos humanos universais ou carne de porco a vegetarianos

Falta-nos "vontade de entender e (...) disponibilidade para admitir o que (tem) de bom" um grupo de combatentes que infligem sofrimento incrível e desumano a gente que tanto podem ser inimigos, como crianças ou mulheres. É pelo menos o que acha a advogada e argumentista Carmo Afonso, num texto publicado no Expresso. E para nos recordar que o outro pode ser diferente de nós traz para a crónica sobre os Talibãs os "homens" da serra do Caldeirão, que falam, bebem e se portam como "homens" da serra, que também não destapam o corpo quando trabalham debaixo de calor e que não abraçam causas progressistas.

Opinião

A poderosa Ursula

Quem confunde poder com visibilidade pode achar que a Comissão Europeia tem pouco poder. Ou, pelo menos, menos do que de facto tem. Ursula von der Leyen é, muito provavelmente, uma figura mais reconhecida do que alguns dos seus antecessores, mas manifestamente menos do que os políticos nacionais e alguns líderes europeus. E, no entanto, as propostas que a Comissão faz, para o Parlamento Europeu e o Conselho decidirem, definem o fundamental da política europeia e nacionais. Em tempos normais já era assim, em tempos de pandemia, primeiro, crise económica, depois, ainda mais.

Henrique Burnay

Na Guiné, à espera de um dia

Estávamos a meio de 2000, o pior da guerra civil tinha acontecido há um ano, agora havia paz e esperança. "O chefe dos enfermeiros do hospital do Quebo (no sudeste da Guiné Bissau), um homem magro de gestos demorados, atravessa lentamente o corredor e abre a porta de um cubículo estreito e escuro. "Isto é a farmácia. Agora não temos remédios mas, quando tivermos, é aqui que hão-de ficar"", escrevi então, na revista Grande Reportagem. Entretanto houve golpes de estado, chefes militares e políticos mortos brutalmente e várias revoltas.