congresso do PS

Opinião

O sermão de Costa aos delegados

Na métrica dos aplausos é revelador que Pedro Nuno Santos a "dizer coisas de esquerda" e a imagem de Mário Centeno a chegar ao Eurogrupo com o cachecol da seleção nacional tenham tido resultados muito semelhantes. Entre o socialismo do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e o pragmatismo do ministro das Finanças, Costa ganhou uma segunda geringonça, caseira e de gestão aparentemente divertida. Pelo menos foi isso que o sorriso do líder foi sinalizando.

Opinião

Filhos de Kant, mas sobretudo de Hegel

Na passada semana, neste jornal, Augusto Santos Silva escreveu um artigo em que situava a esquerda democrática, família política a que pertence o PS, numa alegada "fratura crucial da modernidade". Nessa contenda, Kant seria o liberal, Hegel o totalitário, e Augusto Santos Silva não tem dúvidas de que lado está o PS - do lado de Kant, contra Hegel. Parece-me isto um erro. É verdade que é um erro muito comum, e é verdade que é um erro com pedigree, pois assenta (segundo me parece) na interpretação que vários autores liberais fazem da obra de Hegel. Mas é sobretudo um erro - um erro na interpretação de Hegel, mas também um erro político. Não há dúvida de que o PS deve repudiar o totalitarismo, mas a oposição liberalismo-totalitarismo é um quadro analítico que foi criado por adversários da sua família política e que pretende desqualificar toda a tradição filosófica emancipatória do século XIX, aquela tradição sem a qual a história da família política a que pertence o PS e o projeto emancipatório que a caracteriza se tornam ininteligíveis.