Bernardo Pires de Lima

Bernardo Pires de Lima

O debate vital

É bom que comecemos a alinhar expectativas. O desanuviamento diplomático proposto por Joe Biden é bem acolhido na Europa, mas ninguém está disponível para agir como se os últimos quatro anos não tivessem existido. Alemanha à cabeça. A recente sondagem do ECFR, feita a 15 mil europeus em 11 Estados, Portugal inclusive, coloca os alemães com a sensibilidade à flor da pele: a desconfiança com os EUA aumentou, será inevitável a predominância da China, o sistema político americano partiu-se, cresceu a vontade em autonomizar estratégias. Ou, como é mais comum dizer-se no léxico da comunidade alemã que faz e conduz a política externa, reforçou-se a ideia da "soberania europeia".

Bernardo Pires de Lima

O exemplo americano

Ser o primeiro na história alvo de dois impeachments não devia enobrecer nenhum político, mas envergonhá-lo eternamente e a todos os seus apoiantes. Há um ano, num contexto pré-covid e com a reeleição na mira, as bancadas republicanas no Congresso uniram-se para proteger um presidente alvo de acusações de obstrução à justiça e abuso de poder. A sua popularidade, sempre constante, atingia os 45% e as condições para atacar a eleição presidencial cimentavam o culto do chefe. Hoje, o contexto é totalmente diferente.