augusto santos silva

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O caminho com a Índia

O Tratado de Lisboa atribuiu a representação institucional da União Europeia ao presidente do Conselho Europeu e a condução da política externa e de segurança a um alto representante. Alterou, assim, bastante as competências da presidência rotativa do Conselho nessa área. O que não significa que a tenha tornado irrelevante. Além do encargo de liderar dossiês específicos, como o alargamento ou os acordos internacionais, a presidência tem um poder de influência tanto maior quanto maior for a sua capacidade de colocar questões na agenda e facilitar a mobilização, em torno delas, das instituições.

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75 anos depois, a mesma ideia, renovada

Em 1945 terminou o conflito mais mortal da história da humanidade, que ceifou dezenas e dezenas de milhões de pessoas, na larga maioria civis. Com a rendição alemã e japonesa (e, antes, com a italiana) caíram três dos regimes mais sinistros até então conhecidos. O Holocausto nazi vitimou mais de seis milhões de judeus, que representavam dois terços dos cidadãos europeus com crença judaica. A determinação da Grã-Bretanha, a resistência da União Soviética, a intervenção dos Estados Unidos, a ação das forças de libertação francesas, a participação de outros países aliados e a mobilização de milhões de patriotas das nações ocupadas e de militantes contra o nazi-fascismo convergiram para derrotar a barbárie. Além do horror inominável desta, algumas das ações empreendidas pelos Aliados, como os bombardeamentos maciços de cidades alemãs e, sobretudo, o recurso à bomba nuclear em Hiroxima e Nagasáqui, também colocaram fundas questões éticas. O sobressalto moral assim suscitado haveria de conduzir à definição de limites mais estritos sobre o que se pode e o que não se pode fazer numa guerra.

Exclusivo

augusto santos silva

As cátedras Camões e o ensino da língua portuguesa no estrangeiro

A influência, ou soft power, de Portugal baseia-se em três recursos principais: a consistência da política externa, a diáspora e a língua. O português é uma das línguas mais faladas no mundo e uma das que mais crescem. É uma língua pluricontinental e pluricêntrica. Tem duas variedades bem distintas, europeia e brasileira, e variedades nacionais africanas em formação. Em Portugal, Brasil e São Tomé e Príncipe, é a língua materna. Em Angola e Moçambique, além de ser língua materna de um número crescente de indivíduos, é a língua veicular - a língua que quase todos compreendem e em que comunicam os falantes de diversas línguas maternas. Em Timor-Leste, Cabo Verde e Guiné-Bissau, o português não é língua materna da generalidade da população nem pode ser considerado como a língua veicular, convivendo com outras línguas (o tétum, os crioulos), sem deixar de ter valor referencial na administração, na escola ou nos negócios. O português é ainda uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial e da Região Especial de Macau. Mercê das diásporas lusófonas, a nossa língua é falada em muitas comunidades espalhadas pelo mundo. Deixou, enfim, traços históricos em muitas paragens, do Uruguai à Malásia ou do Quénia à Indonésia.