Arturo Pérez-Reverte

O escritor Arturo Pérez-Reverte refez o mito de el Cid
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Arturo Pérez-Reverte

"O livro em papel está condenado e morrerá no século XXI"     

Desta vez, Arturo Pérez-Reverte não vem a Portugal apresentar um dos seus maiores sucessos literários, o romance Sidi - El Cid, O Nascimento de Uma Lenda, devido à pandemia e ao facto de estar a lançar um novo livro, O Italiano. O mais inesperado neste "seu" retrato do herói espanhol El Cid é de o ter escrito à maneira dos velhos westerns de John Ford! Outra sugestão: História e Oficiais da História de António Borges Coelho

Arturo Pérez-Reverte

Para que preciso de um rei

Faz tempo que acabou o tabu, e com razão. O rei Juan Carlos I, que comandou a Transição e frustrou o golpe de Estado que pretendia liquidá-la, a quem devemos um reconhecimento político indubitável, tinha vindo a submergir-se num lamaçal de igual dimensão de impunidade e pouca-vergonha, de conluios ocultos e braguilha aberta, até ao ponto de acabar por se transformar na principal ameaça contra o seu próprio legado. Para aqueles que pretendem liquidar a monarquia, a personagem estava a facilitar-lhes a vida, pois os sonhos húmidos de muitos protagonistas da atual política acarinham a imagem de um monarca que compareça, não perante um juiz, mas sim perante um Parlamento, com eles na tribuna e a apontarem o dedo. Fazendo de acusadores públicos à maneira de Fouquier-Tinville, com uma guilhotina simbólica em pano de fundo, enquanto os seus papás e familiares os veem em direto pela televisão e comentam: "Vejam até onde chegou o meu Manolín, ou a minha Conchita, que fazem corar um rei."