António Costa e Silva

Viriato Soromenho Marques

Limites do futuro possível

A anunciada Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030, da autoria de António Costa Silva (ACS), está já disponível. Apesar de censurável, a ideia do primeiro-ministro de pedir a um só autor uma obra desta envergadura - levando para o desenho das políticas públicas a síndrome lusa do sebastianismo -, a verdade é que o plano, tanto na sua força como na sua fragilidade, é um oásis de relevância no deserto de trivialidades da política nacional. Refletindo a experiência profissional de ACS, o plano olha o país como um estaleiro de obras - atuais e possíveis. Mobilizando um vasto cabedal de informação, o plano traça cenários e desígnios ambiciosos, para fazer da crise pandémica uma oportunidade que não pode ser perdida. Ressalta em cada página um dinamismo de demiurgo e um otimismo prometeico invencível.