Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Marcelo, a pandemia e as presidenciais

O vírus que nos mudou a vida há de mudar também muita coisa na política. Cá dentro e lá fora. Donald Trump tem a reeleição em risco. Jair Bolsonaro, a continuar assim, pode nem sequer chegar às próximas eleições. No Reino Unido, Boris Johnson vai-se aguentando por falta de comparência do adversário. E em França - só para dar alguns exemplos -, Emmanuel Macron não precisou propriamente da pandemia para se estampar de frente contra uma parede, mas lá que levou um valente empurrão, isso levou.

Anselmo Crespo

O país do "desenrasca aí"

Numa entrevista recente à TSF, António Costa Silva foi certeiro na definição do povo português: "Absolutamente extraordinário nas crises e medíocre no regresso à normalidade." É o retrato perfeito da forma como está a decorrer este desconfinamento em plena pandemia - com milhares de pessoas na rua, de máscara no pescoço a amontoar-se nos cafés, como se nada se estivesse a passar -, mas é também a melhor metáfora para a forma como nas últimas décadas o país foi respondendo às crises que foram aparecendo.

Anselmo Crespo

Novo aeroporto? Jamais

Haverá vários fatores que ajudam a explicar o atraso do país em termos económicos e sociais. Décadas de estagnação ou de crescimentos medíocres, salários miseráveis, serviços públicos que não respondem às mais básicas necessidades das populações. Enfim, a lista dos atrasos - muitas vezes dos retrocessos - é infindável. Mas poucos fatores resumem tão bem este problema como o calculismo político. E o processo do novo aeroporto de Lisboa é um óptimo exemplo.

Anselmo Crespo

O PSD e "o menor de dois males"

Na mesa do costume, à hora do costume, o senhor Manuel, da Courense, continuava a trazer comida para dois como se tivessem vindo 10 para almoçar. Tema de conversa? A inédita segunda volta das diretas do PSD, a fazer lembrar uma não menos inédita segunda volta das presidenciais de 1986, que colocou frente a frente Mário Soares e Freitas do Amaral, depois de deixar pelo caminho Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo. Num exercício que, para muitos, pode parecer inútil, eu e o meu companheiro de todos os dias ao almoço procurávamos semelhanças, diferenças e subtilezas políticas nos dois atos eleitorais, partindo sempre do princípio de que a história tem sempre alguma coisa para nos ensinar e nos enquadrar.

Opinião

Regionalização: a nobre arte de empurrar os problemas com a barriga

É uma arte muito portuguesa. Demorou mais de 500 anos a desenvolver, mas - acho que é seguro dizer-se -, se não somos os melhores do mundo, devemos andar lá perto. Perante um problema muito concreto e definido, reconhecido por todos, amplamente estudado, discutido e analisado, nós optamos por... não o resolver. E cada um empurra como pode: quem tiver a barriga maior que faça uso dela; quem não tem, é soprar com toda a força que o problema é pesado e não é fácil empurrá-lo para longe. Não vá ele ter solução e termos de ser nós a aplicá-la.

Opinião

Quem nos salva de nós próprios?

O debate dos últimos dias sobre o futuro dos órgãos de comunicação social tem um pecado original: nunca, em momento algum, se fez uma verdadeira introspeção sobre as responsabilidades que jornalistas, direções, administradores e acionistas têm no estado a que chegou este setor. Pede-se ao Governo medidas de apoio, à União Europeia que imponha regras, aos anunciantes que invistam mais. Definem-se inimigos como o Google, o Facebook ou as empresas de clipping, mendiga-se aos leitores, ouvintes e telespectadores que valorizem o produto jornalístico e que o paguem, mas nunca se olha para dentro do setor. Nunca se identificam os erros que nós próprios cometemos e que só nós, como um todo, podemos corrigir.