Afonso Camões

Afonso Camões

Da rua do meio ao meio da rua

A moral e a ética que inventámos dependem muito do exato lugar que cada um ocupa. Por vezes, até, falamos de ricos e pobres com as mesmas letrinhas, quando um mora na rua do meio e o outro no meio da rua. Vinte meses e 4,5 milhões de mortes depois do maior desafio global que enfrentámos, a pandemia, a resposta à crise revela que aprendemos pouco: em vez de um mundo mais coeso e solidário, vemo-lo mais orientado por interesses nacionais e em que as desigualdades entre os países se acentuam e consolidam.

Afonso Camões

Porque a bola pincha

Não é preciso conhecer as leis da física para sabermos que a bola pincha. Mas não deixa de ser maravilhoso como, por uns dias, descobrimos que o futebol, mais do que os capacetes azuis das Nações Unidas, consegue fazer respeitar à escala continental um mesmo código de conduta, as regras do jogo. Em campo, países ricos e países pobres, de distintas geografias, separados por todo o tipo de diferenças culturais, sociais e religiosas, e por vezes até envolvidos em conflitos armados, aceitam jogar sob o mesmo regulamento e compreendem que um indivíduo que não conhecem de lado nenhum, vestido de forma diferente e de apito na boca, o faça cumprir - tomara António Guterres!

Afonso Camões

A vacina que não há

Moramos há mais de um ano por dentro de uma palavra maldita que até então nunca tínhamos proferido nem sequer soletrado. Pandemia, da família do grego antigo, significa literalmente que o vírus anda à solta e que o perigo toca a todos. De uma forma ou de outra, todos conhecemos alguém, próximo ou mesmo de família, que foi infetado ou que pereceu, vítima de covid-19. Em Portugal, a mórbida contagem regista já perto de 860 mil casos de infeção e mais de 17 mil mortos, entre os quase 4 milhões em todo o mundo.

Afonso Camões

Queixem-se do populismo!

Em fila para a vacina, vemo-los armar os anzóis, que há mais peixe graúdo a disputar a lota dos interesses. Tarde e más horas, com eleições à vista, os partidos vão tentar, nos próximos dias, chegar a um acordo para emendar a lei eleitoral autárquica que os dois maiores fizeram aprovar no verão passado, criando dificuldades acrescidas às candidaturas independentes. A pressa daqueles é filha do medo de que estas criem o seu próprio partido e ameacem o cartel dos instalados.