Afonso Camões

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Dar corda aos sapatos

As oportunidades são como o nascer do Sol: um atraso e perdemo-las. Vacina, emprego e gestão da ajuda europeia são os enormes desafios para a economia portuguesa nos meses vindoiros, e o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é a grande oportunidade para a modernizar. Por mais anémica que a nossa economia se arraste, vamos ter a possibilidade de investir, por ano, o dobro do que investimos na média dos melhores anos desde que aderimos à União Europeia. E se a esperança é um bem coletivo, cabe ao governo a gestão dos recursos, dos meios e do tempo. Não percamos a oportunidade.

Afonso Camões

Sol na eira, inverno laboral

Regressou o sol, mas a vida vai áspera. Quatro em cada dez portugueses em idade ativa estão sem trabalho. A taxa que mede a relação entre empregados e a população total em idade ativa recuou para os 60,2%. Vai áspera a vida, e a OIT previne que a invernia precipitada pelo vírus prenuncia "uma crise sem precedentes no mercado laboral" cuja recuperação será "lenta, desigual e incerta".

Afonso Camões

O vírus da indiferença

Éda sabedoria popular que as más companhias são como um mercado de peixe: acabamos por nos habituar ao mau cheiro. Cedo ou tarde, hão de aprender a lição todos quantos tencionam confiar o seu voto a quem tem feito do ódio e do populismo a sua agenda. O pantomineiro, em cujo nome não gasto tinta, joga tudo nesta eleição presidencial, que jamais vencerá, e ganha votos de cada vez que lhe mencionamos o apelido para responder às suas provocações. Ele não precisa de um discurso coerente e nem precisa de ter razão, muito menos de mostrar factos. Basta-lhe falar grosso para ser notado, como se o trampolim das audiências viajasse no banco traseiro do táxi. A direita que se cuide! Em menos de dois anos, se nada de sério mudar no PSD e no CDS, ele estará a lutar pelo pódio na Assembleia da República, a condicionar a formação de maiorias e até de um futuro governo. Olhem o exemplo dos Açores!...

Afonso Camões

A desigualdade infeta

É chocante a revelação de que as maiores fortunas do mundo estão a crescer à razão de 800 milhões de dólares por dia. E choca também a notícia de que o maior crescimento relativo no comércio automóvel português está na venda de viaturas de luxo e de alta cilindrada. Isto, enquanto a gelada Filomena nos vem recordar que Portugal é um dos países onde mais se morre de frio e que uma em cada cinco das nossas famílias não tem recursos para sustentar o aquecimento das suas casas.