Vinte e um dias a pedalar do Vaticano até Fátima

Os três ciclistas vão percorrer mais de 2500 quilómetros para chegar a Fátima dois dias antes do Papa. Viajam com a mensagem de Francisco e vão ser recebidos por ele

Não há duas sem três e para Carlos Vieira esta será a terceira peregrinação de bicicleta entre o Vaticano e Fátima. Em todas elas foi recebido pelo Papa e este ano não será exceção. A novidade será que desta vez conta com companheiros do pedal. Ao seu lado vão estar as bicicletas de Miguel Vilar e António Figueiredo. Os três começam na sexta-feira a aventura de percorrer mais de 2500 quilómetros entre a Praça de São Pedro e o Santuário de Fátima. Contam chegar um dia antes do Papa Francisco.

O mote para a viagem foi o centenário das aparições. Os três ciclistas vão também em peregrinação e aproveitam para divulgar a mensagem de Francisco a propósito da visita a Fátima. As camisolas vão ter o lema: "Com Maria peregrino na esperança e na paz", nas línguas dos países por onde vão passar (Portugal, Espanha, França e Itália).

Manuel Vilar, Carlos Vieira e António Figueiredo - todos com mais de 50 anos - vão percorrer em média 140 quilómetros por dia, com paragens agendadas em "algumas comunidades portuguesas, o santuário de Lourdes e o Santuário de Nossa Senhora do Pilar, em Saragoça", explica Manuel Vilar. O mais experiente neste percurso é Carlos Vieira -o bombeiro ciclista de Leiria -, que fez este percurso em 1986 e 2014. Na primeira vez foi recebido pelo papa João Paulo II e na segunda vez fez a peregrinação para celebrar a canonização do papa polaco. Há três anos foi recebido já pelo Papa Francisco. "São quase amigos", brinca Manuel Vilar.

Carlos Vieira, de 65 anos, conta "em primeira mão" ao DN o que vai dizer ao Papa antes de partirem rumo a Fátima. "Além de agradecer por estar com ele, vou pedir para que reze pelas pessoas que sofrem das guerras, doenças e injustiças por este mundo fora. Vamos pedir com fé ao santo padre e nos proteja nas estradas até Fátima."

O mentor do projeto - que tem como patrocinador a Liberty Seguros - parte hoje para Roma, com o condutor Francisco, que já lhe deu apoio nas outras peregrinações. Vão chegar na quarta-feira e no dia seguinte chegam os outros dois ciclistas. Na primeira viagem, há 31 anos, demorou 11 dias, na de 2014, pedalou por 12 dias. Não espera melhorar o tempo, até porque agora está a contar com 21 dias na estrada e sem competição: "Vamos em peregrinação", defende.

"Se consegui todos conseguem"

Antes de chegar às duas rodas, Manuel Vilar, de 60 anos, era piloto de automóveis. Até que um acidente, em 1997, o deixou em coma durante um mês. O primeiro diagnóstico era de que seria dependente o resto da vida, já que tinha a parte esquerda do corpo paralisada. Tornou-se um case study do neurologista António Damásio, depois de recuperar os movimentos dedicou-se ao ciclismo. Em 2011, atravessou os EUA de costa a costa, no ano seguinte pedalou entre Copenhaga e a costa norte da Lapónia.

Agora juntou-se a Carlos e António nesta missão de Pedalar pela paz - "não podia ter vindo mais a propósito nos dias que correm", acrescenta. A esta mensagem, o antigo piloto junta outra mais pessoal: "Se eu consegui todos conseguem. Gostava de passar a mensagem de vale a pena acreditar e que é preciso não desistir. Acreditem no mundo que ainda há gente boa. Estamos aqui pela paz."

Para o ortopedista António Figueiredo esta vai ser a primeira grande aventura a pedalar. "É o desafio da minha vida, já fiz outras viagens, mas este é um desafio". O médico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, de 56 anos, elogia os dois companheiros de viagem: "Vou com um campeão de resistência e um de superação, e tenho que acompanhá-los. Pela fé que nos move vamos conseguir."

A preparação mais intensiva começou há seis meses e o especialista está até preparado para pôr em prática os conhecimentos médicos, caso seja necessário.

O grande arquiteto desta peregrinação - Carlos Vieira - destaca-se no ciclismo não só pelas duas peregrinações do Vaticano até Portugal, mas também por ser recordista mundial de resistência em bicicleta. Considera que este percurso "é uma peregrinação digna do centenário das aparições".

Vai ser um percurso difícil, admitem, sem perder, no entanto, o entusiasmo. "O percurso é muito difícil, antes de chegar a Fátima vamos passar por Lourdes, em França, e isso vai obrigar-nos a atravessar os Pirenéus e depois ainda vamos parar em Saragoça", aponta Miguel Vilar. O definição do trajeto teve por base o número de dias que tinham para o trajeto (não queriam chegar no mesmo dia do Papa) e, ao mesmo tempo, queriam passar junto de algumas comunidades de emigrantes portugueses e em dois santuários marianos (um em França e outro em Espanha).

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