Vacinados com a Janssen também vão receber dose de reforço

"A melhor forma de nos protegermos e de passarmos um inverno mais seguros e tranquilos é vacinar, vacinar, vacinar", reforçou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou, esta quinta-feira, "três grandes novidades" no processo de vacinação contra a covid-19. Uma delas é que, na população atualmente elegível - maiores de 65 anos, profissionais de saúde, do setor social e os bombeiros que transportam doentes - "o intervalo entre a última dose e uma pessoa tornar-se apta para a vacinação é, neste momento, de cinco a seis meses. Resumindo, encurtamos este intervalo para em segurança vacinarmos mais pessoas, mais precocemente". Ou seja, anteriormente, o intervalo entre a última dose e a de reforço era de seis meses (180 dias). Esse período é agora reduzido, podendo variar entre os 150 (cinco meses) e os 180 dias.

Durante a conferência de imprensa, a responsável pela DGS esclareceu que, em relação ao encurtamento do período entre a última dose e a de reforço, "tem de haver um intervalo mínimo de cinco meses e um intervalo ideal de seis meses, se puder ser". Desta forma, será possível chamar à vacinação mais pessoas, repetiu.

Neste grupo dos mais de 65 anos e dos profissionais acima mencionados, "os recuperados também passam a ser vacinados". "Com uma única exceção: os recuperados que tendo tido a doença já levaram duas doses da vacina" com cerca de cinco a seis meses de intervalo. "Esses recuperados estão já naturalmente com o seu reforço feito. Mas, regra geral, os recuperados vão ser vacinados dentro deste teto dos 65 ou mais anos de idade e dos profissionais" de saúde e setor social e dos bombeiros que transportam doentes.

A vacinação dos doentes recuperados vai "começar pelos mais velhos", sendo que o total do grupo corresponde a cerca de 140 mil pessoas.

A terceira novidade, anunciou Graça Freitas, diz respeito aos utentes que tomaram a vacina da Janssen de dose única. "Essas pessoas vão fazer um reforço", 90 dias após terem levado a dose desta vacina.

A dose de reforço para quem tomou a vacina da Janssen destina-se a quem tem 18 ou mais anos de idade, acrescentou a diretora-geral da Saúde. "Todas as pessoas que vão fazer reforço, vão fazê-lo com uma vacina mRNA", disse, referindo-se à vacina da Pfizer e a da Moderna.

A norma com as alterações no processo de vacinação vai ser ainda hoje publicada, referiu Graça Freitas. Ainda não se sabe quando é que vão começar a ser chamados aqueles que tomaram a dose única da vacina da Janssen.

A responsável disse também que com a vacinação de reforço das pessoas que tomaram a dose única da Janssen há agora mais um milhão de elegíveis para esta fase do processo. A diretora-geral da Saúde sublinha que esta dose de reforço é para "voltar a haver uma subida de anticorpos" quando chegarmos ao inverno.

Esclareceu que mesmo aqueles que tiveram a doença e depois receberam uma dose da Janssen também vão ter uma dose de reforço. A única exceção é para quem tomou uma segunda dose para poder viajar ou por outro motivo, explicou Graça Freitas.

"Vamos estar a vacinar sete dias por semana", destacou, referindo-se aos regimes de casa aberta para os mais de 75 anos e de auto agendamento que começou hoje para os mais de 65 anos.

Graça Freitas voltou a alertar que a "pandemia ainda não acabou. Nem em Portugal nem em nenhum lugar do mundo".

"Assiste-se na Europa a uma intensa circulação do vírus SARS-CoV-2. Mesmo em Portugal, que tem 86,5% da sua população vacinada, assiste-se a um aumento do número de casos. A melhor forma de nos protegermos e de passarmos um inverno mais seguros e tranquilos é vacinar, vacinar, vacinar", sublinhou.

Graça Freitas referiu que "estão, de facto, a morrer, predominantemente, pessoas com muita idade, com 80 ou mais anos". O perfil habitual é de terem uma "carga de doença muito grande", ou seja com muitas comorbilidades associadas. "Estando esta população praticamente toda vacinada, a maior parte das pessoas que morre é vacinada, não quer dizer que sejam todas", disse a diretora-geral da Saúde.

Sublinhou que o nível de proteção foi diminuindo ao longo do tempo e, portanto, "as pessoas devem fazer um reforço para que continuem a ter proteção". "Quero aqui deixar bem claro para manterem a confiança nas vacinas. Nós sempre dissemos que não sabíamos quanto tempo durava a imunidade", afirmou.

Imunidade diminuiu mais nos vacinados com a dose única da Janssen

Afirmou ainda que as estruturas estão todas montadas e que Portugal tem "capacidade de dar resposta" nesta fase da vacinação.

"Todas as pessoas, independentemente da vacina que levaram na primeira fase, fazem reforço com vacinas mRNA. Tenham feito Pfizer, Moderna, AstraZeneca ou Janssen, os reforços são sempre com vacina mRNA", voltou a alertar Graça Freitas, admitindo que, segundo os estudos internacionais, a imunidade diminuiu mais em vacinados com a dose única da Janssen.

Questionada sobre se tem dados que estabeleçam uma ligação entre o aumento de casos e as pessoas que receberam uma dose única da Janssen. Graça Freitas respondeu dizendo que é por esse motivo, tendo em conta que "há estudos internacionais que vão nesse sentido", que a DGS recomenda que os reforços "comecem a ser feitos numa idade tão precoce, a partir dos 18 anos, incluindo os 18".

"Os estudos internacionais indicam que o tal decaimento, a tal diminuição da imunidade verifica-se mais nesta vacina do que nas outras", reconheceu Graça Freitas.

Com a dose de reforço, já foram vacinadas cerca de 600 mil pessoas. Mais de um milhão recebeu a vacina da gripe e cerca de 400 mil fizeram a coadministração das duas vacinas.

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