Unicef. Portugal no Top 15 do bullying juvenil

Relatório da organização da ONU para a Infância analisou a violência sobre as crianças e jovens no mundo

Portugal é o 15.º país com mais relatos de bullying na Europa e na América do Norte, ficando mesmo à frente dos Estados Unidos, segundo um estudo divulgado ontem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O documento "Um Rosto Familiar: A violência nas vidas de crianças e adolescentes", que analisou a situação da infância no mundo face a este problema, usou dados oficiais de 2015 para mostrar que, no que se refere ao bullying, entre 31% e 40% dos adolescentes portugueses com idades entre os 11 os 15 anos disseram ter sido intimidados na escola pelo menos uma vez em menos de dois meses.

Proporcionalmente, o país teve mais queixas do que os Estados Unidos, onde houve três quartos dos tiroteios em escolas registados no mundo nos últimos 25 anos.

Portugal é mencionado também numa análise sobre a percentagem de mulheres com idade entre os 18 os 29 anos que sofreram pelo menos um episódio de violência sexual perpetrado por um adulto antes dos 15 anos na Europa. E, neste caso, o país aparece como um dos que menos registou este tipo de queixa, ficando em 23.º lugar entre os 28 países analisados, à frente apenas da República Checa, Grécia, Polónia, Croácia e Roménia.

O estudo da Unicef apresenta uma análise detalhada sobre as mais diversas formas de violência sofridas por raparigas e rapazes em todas as regiões do mundo, como a violência disciplinar, violência doméstica na primeira infância, violência na escola - incluindo bullying, violência sexual e mortes violentas de crianças e adolescentes. Nele, a Unicef assinala um dado essencial: o de que a cada sete minutos, em algum local do mundo, uma criança ou um adolescente entre os 10 e os 19 anos é morto, vítima de homicídio ou de alguma forma de conflito armado ou de violência coletiva.

"Só em 2015, a violência vitimou mais de 82 mil rapazes e raparigas nessa faixa etária", diz o relatório.

Quase metade de todos os homicídios de adolescentes ocorrem na América Latina e Caraíbas, embora vivam nessas regiões um pouco menos do que 10% da população mundial nesta faixa etária.

Neste ponto, o Brasil surge, de resto, como um dos países que mais se destaca por ser o o sétimo país do mundo onde morrem mais jovens e crianças.

Já a Venezuela tem a maior proporção de homicídios de jovens do sexo masculino entre os 10 e os 19 anos de idade, com uma taxa de 96,7 mortes para cada 100 mil, seguido da Colômbia (70,7), El Salvador (65,5), Honduras (64,9) e Brasil (59). "Os homicídios muitas vezes são só a última etapa de um ciclo de violência a que crianças e adolescentes estão expostos desde a primeira infância", salientou Florence Bauer, representante da Unicef no Brasil, num comunicado divulgado juntamente com o estudo.

"A maioria dos homicídios contra adolescentes não acontece em países que estão em conflito, como a Síria, mas nos países da América Latina e das Caraíbas e o Brasil encontra-se entre aqueles com as taxas mais altas de homicídios de adolescentes do mundo", sublinhou a especialista.

Vários fatores estão associados ao aumento do risco de homicídio dos adolescentes no Brasil, sendo a etnia a componente mais importante. "No Brasil, a taxa de homicídio em 2014 entre adolescentes de ascendência africana ou multirracial eram quase três vezes maiores do que as dos jovens brancos", destaca o relatório.

Apesar da alta taxa de violência, o Brasil é mencionado de forma positiva pela sua posição face ao castigo físico: é um dos 59 países do mundo onde a lei o proíbe.

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