Uma rede de 1400 quilómetros para termos água

Com capacidade para tratar 240 mil metros cúbicos de água por dia, é da estação de tratamento da EPAL de Vale da Pedra que sai a água que serve Lisboa e os concelhos limítrofes.

Os atuais processos de tratamento e desinfeção da água da torneira são eficazes na remoção de vírus, pelo que não existem motivos de saúde para os consumidores optarem por água engarrafada ou outras bebidas". A garantia é da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e de Resíduos a propósito da pandemia da covid-19 e tem eco na EPAL, que fornece água a Lisboa e concelhos limítrofes, num total de três milhões e meio de consumidores diários. É na estação de tratamento de águas de Vale da Pedra, no Cartaxo, que se produz muita da água para consumo humano.

Antes do simples gesto de abrir a torneira, há um longo processo que se inicia ainda no Tejo, em Valada. A água aí captada faz um percurso de cinco quilómetros e meio através de duas condutas até Vale da Pedra, onde o tratamento tem início com um primeiro ajuste de pH com dióxido de carbono e depois com a fase da oxidação com ozono. Segue-se uma câmara de mistura rápida, a floculação, a decantação e a filtração monocamada. A água é então armazenada, mas antes de começar o percurso em direção à casa de cada um ainda leva "dois tratamentos adicionais, um com hidróxido de cálcio para correção do pH, e o último com reforço de cloro, com cloro gasoso, para manter uma barreira sanitária de desinfeção da água em todo o processo de transporte", descreve Luís Bucha, responsável da ETA, uma instalação com quase 60 anos, renovada em 2018, com capacidade de tratamento de 240 mil metros cúbicos de água por dia.

"É muito importante as pessoas terem a certeza que, desde o ponto em que a captamos até ao momento em que a distribuímos, há diversas fases e monitorizações que garantem a qualidade da água. E efetivamente podemos dizer à vontade que temos uma das melhores águas da Europa", assegura Marcos Sá, diretor de comunicação e de educação ambiental da EPAL.

Todo o processo de tratamento da água tem elevado grau de automatização. "Não é só máquinas", contrapõe. "Há aqui um lado de tratamento que é mecânico e que é todo gerido do ponto de vista de telegestão, com todas as operações a serem devidamente controladas online, com as tecnologias que nós temos, mas depois há as análises todas que são feitas e, no sistema da EPAL, fazemos por ano mais de 300 mil análises", salienta Marcos Sá.

O laboratório da estação de tratamento de Vale da Pedra é uma extensão do laboratório central, situado em Lisboa, e tem por missão "complementar o controlo que é feito em contínuo pelos monitores online com a colheita sistemática de amostras da água que cobrem a totalidade dos sistemas sob a responsabilidade da EPAL e das Águas de Lisboa e Vale do Tejo", explica o seu responsável, Rui Neves Carneiro. Quer isto dizer que a qualidade da água é controlada desde a origem até às torneiras "com a colheita de amostras de água diárias em cerca de quatro mil pontos de amostragem representativos de todas as componentes desse sistemas", explica. "Temos pontos em que fazemos até mais do que uma vez por dia e temos pontos que, dada a sua especificidade, só fazemos com uma frequência mais alargada".

Só a rede de distribuição tem 1400 quilómetros. "Temos pontos estratégicos colocados ao longo desta vasta extensão do sistema, mas incidimos mais, com mais frequência, naqueles que são mais críticos e mais representativos deste sistema de distribuição", continua. Finalmente, até a água que sai da torneira do consumidor final é analisada com a seleção de 1300 pontos de consumo, no caso de Lisboa, para colheita.

O trabalho tem dado frutos, segundo os estudos feitos pela EPAL para monitorizar a confiança dos consumidores na água da torneira. "Nos últimos 11 anos fizemos estudos em que o melhor índice que tivemos de pessoas que afirmavam que bebiam água da torneira foi 87%. Durante o confinamento conseguimos subir esse número para 91%", diz Marcos Sá.

A confiança não terá sido abalada pela pandemia, mas o consumo de água sofreu variações. "Por exemplo, na cidade de Lisboa reduziu um bocadinho, o que tem a ver com a questão do turismo, com a questão dos hotéis, dos restaurantes e do alojamento local", que estão encerrados. Em compensação, noutros municípios, aumentou em consequência do teletrabalho. "Eu diria que, no global, e para termos ideia do impacto, houve uma redução de cerca de 1,2% relativamente aos volumes de água que foram faturados em 2020 comparativamente com 2019", especifica Marcos Sá.

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