Um tecido especial quer aniquilar o "bicho" em 15 minutos

Empresa de Ovar criou "tecido não tecido" que tem incorporado um antimicrobiano que desativa vírus que provoca a covid-19.

Uma empresa de Ovar criou, em parceria com um laboratório internacional, um filme ("tecido não tecido", como também se diz no setor) que tem incorporado um agente antimicrobiano que desativa bactérias e vírus como o SARS-CoV-2, que provoca a infeção covid-19. Fonte da Elastictek - Indústrias de Plásticos revelou ao DN/JN que "ensaios realizados num laboratório independente nível III apontam para a eficácia da solução ao desativar 99,99% da atividade viral em 15 minutos". É mais uma empresa portuguesa a produzir tecidos com antivirais.

O filme em questão permitirá que empresas de confeção produzam "batas, fatos de proteção e outros produtos de proteção individual com fortes propriedades antivíricas e antibacterianas, inibindo desta forma a atividade viral presente tanto em ambiente social como em ambiente hospitalar", refere a empresa, que começa nesta semana a comercializar o produto, tendo uma capacidade de produção diária de 200 mil metros quadrados de "tecido", o suficiente para fazer, por exemplo, 50 mil fatos de proteção individual.

Outra vantagem do produto desenvolvido desde março do ano passado pela Elastictek é ser reciclável, uma das prioridades da empresa, que emprega 70 funcionários.

Associações aplaudem

O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) elogiou ao DN/JN a aposta em antivirais e diz que é um dos caminhos do futuro. "Tudo o que é introdução de funcionalidades nos tecidos, seja na área da saúde ou no desporto, por exemplo, é diferenciador e tem mais valor no mercado", defende Mário Jorge Machado. O responsável não sabe quantas empresas têxteis estão a trabalhar no combate à pandemia, mas assegura que "são cada vez mais".

A mesma ideia é partilhada pelo líder da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC). César Araújo considera que estes novos tecidos não tecidos com alta tecnologia associada "são mais um passo para Portugal e a Europa deixarem de estar reféns e dependentes dos produtos asiáticos", lembrando que 85% de toda a roupa consumida na Europa tem proveniência naquele continente. "Somos o caixote do lixo da Ásia", atira.

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