Um novo Restelo com ambições de grandeza para a cidade

Belenenses quer fazer "o maior e mais moderno complexo desportivo e de lazer da cidade de Lisboa". Custo passa os 30 milhões

A requalificação urbana da zona envolvente ao Estádio do Restelo vai avançar nos próximos meses, com um ambicioso projeto de modernização das infraestruturas do Belenenses e a criação de serviços para os cidadãos residentes na capital. O espaço em redor do recinto passará a ter um colégio, um centro de estágio, uma clínica de medicina desportiva/alto rendimento, um pavilhão multidesportivo, um polo universitário, uma piscina, um healthclub, uma área comercial com supermercado e dois campos de futebol.

O projeto, com uma área de implantação de 119 mil metros quadrados (onde se inclui o estádio), prevê ainda o enquadramento paisagístico da Capela de Santo Cristo - classificada como imóvel de interesse público - e a reestruturação da rede viária existente, com o objetivo de aliviar o trânsito automóvel em frente aos Jerónimos e ao Palácio da Presidência da República. "Temos uma excelente solução para o clube e para a cidade, que vai valorizar toda esta zona, permitir a melhoria das condições de vida de todos os que aqui habitam, que vão ter acesso a mais infraestruturas desportivas, a uma rede viária melhor articulada e integrada, e podemos ter aqui o grande projeto das últimas décadas nesta zona da cidade", afirmou Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), na cerimónia de apresentação.

"Bom para clube e moradores"

António Manuel Neves, de 74 anos, mora perto do atual Estádio do Restelo. Ainda é do tempo do Campo das Salésias, "o primeiro relvado de Portugal", e já foi sócio do clube. Por isso ficou satisfeito ao saber o que vai ali acontecer nos próximos anos. "É um projeto que tem interesse, até porque há muitas zonas que estão degradadas e não estão a ser aproveitadas. Nesse aspeto há uma vantagem para todos, clube e população", confessa ao DN. Ainda se recorda dos tempos em que toda a zona era constituída "por pedreiras e fornos de cal". "Para o estádio ser construído, tiveram de dinamitar toda aquela zona", conta. "Acho que o novo projeto vai ser bom, tudo o que sejam coisas diferentes e que possam ter interesse para a população é positivo."

Sendo uma zona apetecível da cidade, perto dos monumentos de Belém e com vista privilegiada para o rio Tejo, o Belenenses congratula-se por ter eliminado "o potencial risco da especulação imobiliária que pudesse vir a pôr em causa a propriedade e a sustentabilidade do clube". Outro dado importante é a preocupação de preservar a paisagem: nenhum dos edifícios será mais alto do que a cobertura do Estádio do Restelo. "É lógico que haja uma preservação da paisagem. A própria câmara assim o obriga", explica Carlos Santos. Proprietário de uma mercearia e morador na freguesia de Santa Maria de Belém há mais de 30 anos, mostra-se satisfeito com o projeto, "embora não seja sócio do Belenenses". "Pode trazer mais movimento para a zona e ser uma mais-valia. Aquela parte está um bocado degradada e será bom não só para o Belenenses como para os moradores", opina o merceeiro de 65 anos.

Ana Pereira, 38 anos, mudou-se para esta zona da cidade há 12 meses, mas tem uma opinião semelhante aos moradores mais antigos. "Penso que pode criar algum dinamismo. Só pernoito aqui, acho que não vou usufruir de nada disso, mas é bom", afirma. Após saber as linhas gerais do projeto, mostra-se "sem dúvida satisfeita" pela preservação da vista para o rio e por os novos edifícios não serem muito altos.

Um desejo para o centenário

O Belenenses estima que o custo do projeto seja superior a 30 milhões de euros. Sem capitais próprios para concretizar "o sonho de fazer o maior e mais moderno complexo desportivo e de lazer da cidade de Lisboa", o clube lançará concursos públicos para cada parcela a ser construída e recorrerá a parcerias com privados. Patrick Morais de Carvalho, presidente dos azuis, explicou que ontem foi a data-limite para a receção de propostas do primeiro concurso público aberto, para a construção do colégio e do pavilhão multidesportivo, e que as obras deverão arrancar nos próximos 90 dias. "Hoje é o primeiro dia do resto da vida do Belenenses, que apanha definitivamente o comboio da modernidade. Conseguimos atingir três objetivos muito importantes: modernizar as instalações desportivas, termos a capacidade de o clube se abrir à cidade e a todos os munícipes, e garantir a sustentabilidade financeira para as próximas décadas", disse o dirigente.

"É muito raro encontrarmos esta visão e capacidade de entendimento e convergência. É um projeto a todos os títulos exemplar", congratulou-se Fernando Medina. O líder da CML destacou ainda a "utilização extremamente inteligente do espaço para infraestruturas de âmbito educativo que permitam o investimento na recuperação de infraestruturas de âmbito desportivo". Não há ainda prazo definido para a conclusão da obra, mas com o centenário do clube a comemorar-se em setembro de 2019, o presidente dos azuis gostava que grande parte ou mesmo a totalidade do projeto desenvolvido pelo arquiteto Miguel Saraiva pudesse estar pronta nessa altura.

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