Tosse convulsa: três bebés morreram por falta de vacinação

Só aos dois meses de vida os recém-nascidos podem ser vacinados. Até lá só têm imunidade se a mãe foi vacinada durante a gravidez

Dois recém-nascidos morreram em 2015 e um em 2016 devido à tosse convulsa, segundo avança hoje o Correio da Manhã citando dados da Direção-Geral de Saúde (DGS). A vacinação dos bebés contra a doença só acontece aos dois meses de vida e até lá estes só estão imunes se as mães tiverem sido vacinadas durante a gravidez.

Em junho deste ano a DGS recomendou a vacinação das grávidas contra a tosse convulsa para a proteção dos recém-nascidos, até estes poderem iniciar a vacinação contra esta doença, a partir dos dois meses - e a vacina será incluída no programa nacional de vacinação em 2017.

Desde então verificaram-se já vários episódios de rutura da vacina nas farmácias. Em outubro, a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) admitiu que esta vacina esteve esgotada durante uns dias "na sequência da decisão das autoridades de saúde internacionais de estender a vacinação às grávidas, o que provocou um aumento da procura superior à capacidade de produção da vacina".

"Houve uma boa adesão à recomendação para a vacina ser administrada a grávidas de forma a prevenir a tosse convulsa nas crianças nos primeiros dois meses de vida. Isto é uma questão de importação, ou seja, quem produz a vacina não conseguiu abastecer continuamente o mercado", explicou então Graça Freitas, subdiretora-geral da Saúde

Agora, segundo o Correio da Manhã, verifica-se uma situação semelhante, prevendo-se que a partir de quinta-feira a vacina esteja de novo disponível nas farmácias.

Pinto Leite, diretor do laboratório Glaxo-SmithKleine (GSK), que produz a vacina Boostrix na Europa, explicou ao jornal que até a vacina ter sido recomendada para as grávida registava uma procura média de 150 doses por mês. Desde então passou a registar uma procura média acima das mil.

Segundo Graça Freitas, a taxa de vacinação em Portugal é de 97/98%, tendo sido registados 260 casos em 2015 e este ano pouco mais de 400. "Esta é uma doença que não vai para casos zero, de vez em quando há pequenos surtos", disse, garantindo não existir riscos para a saúde pública.

A subdiretora-geral da Saúde lembrou ainda que este ano a vacina da tosse convulsa é comprada e nas farmácias, mas a partir de 1 de janeiro será gratuita e fará parte do Plano Nacional de Vacinação.

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