Tó Jó "precisa de apoio psicológico" fora da prisão

Sai amanhã da cadeia, com 40 anos e 17 anos depois de ter assassinado os pais, António Jorge Santos que foi condenado a 25 anos de prisão por ter morto os pais à facada em Ílhavo, em agosto de 1999

Quando forem 8.00 da manhã de amanhã (7 de março) ou até um pouco antes, António Jorge Santos estará a sair pelos portões do estabelecimento prisional de Coimbra em liberdade condicional. Tó Jó, o "assassino de Ílhavo", que matou os pais à facada há 17 anos (a 12 de agosto de 1999), sai aos 40 anos, e irá para casa de uma prima, residente em Coimbra, a única pessoa da família que aceitou acolhê-lo.

Condenado a 25 anos de prisão, cumpriu mais de dois terços da pena. "Em todos os casos, mas num como este em particular, precisa de apoio psicológico fora da prisão. Deve ser acompanhado no exterior, em consultas de psicologia ou de psiquiatria", comentou ao DN o psicólogo forense Rui Abrunhosa Gonçalves, doutorado em psicologia do comportamento desviante.

"O Tribunal de Execução de Penas até pode determinar como condição para a sua liberdade condicional que continue a ser seguido ou a ter apoio psicológico fora da cadeia". A "interiorização da culpa", uma das condições para um juiz conceder a liberdade condicional, não é garantia suficiente de que a pessoa tenha realmente consciência do que fez. "O assumir da culpa é sempre um critério estranho mas enfim, faz parte da lei. Na verdade, um assassino ou outro criminoso qualquer pode mentir ao juiz e dizer que assume a culpa e depois não sentir nada disso. Pode fazê-lo só para convencer o Ministério Público e o juiz e obter a liberdade condicional".

O mundo era outro quando Tó Jó matou os pais, na madrugada de 12 de agosto de 1999. Na véspera do milénio, a internet dava, naquele anos,os primeiros passos em Portugal, o socialista António Guterres era primeiro-ministro (hoje é o secretário geral das Nações Unidas), Lisboa ainda não era uma das capitais do turismo mundial . "O mundo mudou extraordinariamente. E Tó Jó passou grande parte da sua juventude na prisão. Precisa de ter um plano de reinserção, definir se vai voltar a trabalhar ou a estudar", refere Rui Abrunhosa Gonçalves, sublinhando a "coragem da familiar que o vai acolher".

António Jorge Santos foi sempre bem comportado na prisão, um preso exemplar até, e chegou a estudar Direito e até Contabilidade e Gestão.

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