O primeiro pedido de Tó Jó em liberdade: "paz e sossego"

Homem que esfaqueou mortalmente os pais em 1999, em Ílhavo, deixou esta terça-feira o Estabelecimento Prisional de Coimbra, fintando os jornalistas que se concentravam à porta. "Está mudado", diz o advogado.

Foi por volta das 8:00, como esperado, mas aconteceu com bastante discrição. Fintando a dezena e meia de jornalistas que se concentrava à porta do Estabelecimento Prisional de Coimbra, Tó Jó deixou esta terça-feira a cadeia onde cumpria pena pelo homicídio dos pais, em agosto de 1999, em Ílhavo. "Ele está um homem novo, mudado, ressocializado. O que pretende é ter um resto de vida feliz", disse o seu advogado, Pedro Vidal.

António Jorge Machado, mais conhecido por Tó Jó, abandonou a prisão pouco depois das 8:00, por uma porta lateral, escapando às atenções dos jornalistas que se encontravam junto ao portão de onde era esperada a sua saída. No entanto, a confirmação de que já tinha saído em liberdade condicional - após ter cumprido dois terços da pena de 25 anos de reclusão a que foi condenado pelo Tribunal de Ílhavo, em abril de 2001, pelo homicídio dos pais - só surgiu quase uma hora depois, pela voz do advogado que antes falara aos órgãos de comunicação sobre a saída iminente do duplo homicida, referindo que ela estava atrasada.

O objetivo da manobra de diversão foi garantir o abandono da cadeia em "privacidade", já que o primeiro pedido de Tó Jó em liberdade foi "paz e sossego". "Ele tem direito à reserva da vida familiar, a ter ruma vida pacata e sossegada. Já pagou, já passou por um grande percurso em circunstâncias difíceis - esteve 16 anos sem uma saída precária. Merece agora ter um bocado de pacatez, para poder prosseguir com a vida dele", sublinhou Pedro Vidal.

O causídico assegurou que António Jorge Machado "teve tempo para refletir" sobre o crime que cometeu e para "sair um homem novo". Agora, deverá prosseguir com os estudos de Marketing e Relações Internacionais, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, e morar com uma familiar, que reside na região. "Ele tem planos para a vida, para se integrar no mercado de trabalho. É um excelente aluno, tem excelentes notas. Espero que consiga, em todo o caso, ser uma pessoa verdadeiramente feliz. Está a aguardar por uma situação nova, uma vida nova, reconstruída aos 41 anos. Há que ter esperança", concluiu Pedro Vidal.

Tó Jó encontrava-se detido no Estabelecimento Prisional de Coimbra desde 16 de agosto de 1999, quando foi detido pela Polícia Judiciária, pelo duplo homicídio ocorrido a 12 agosto de 1999 em Ílhavo, ocorrido poucas horas após o último eclipse solar do século XX, então associado a cultos satânicos.

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