"Temos mais 14.647 infetados". Diretores pedem encerramento de escolas

O presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas também pede o encerramento das escolas. Várias câmaras municipais pesem o encerramento das escolas para conter a pandemia.

"Hoje, o número que tenho aqui à minha frente é arrasador. Temos mais 14.647 pessoas infetadas." As palavras são de Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, na TSF. O responsável garante que o medo está a apoderar-se da comunidade educativa. São várias as câmaras municipais que estão a pedir o encerramento dos estabelecimentos de ensino.

Ouvido no Fórum TSF, Filinto Lima pedia ao Governo para ouvir a ciência e determinar o fecho das escolas, tendo em conta o número de casos confirmados desta quarta-feira (e ainda não divulgados pela Direção-Geral da Saúde). O presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas diz-se alarmado com os números. e considera que só o encerramento das escolas pode resolver a situação, porque os estabelecimentos de ensino "não estão fora da sociedade".

A Fenprof também defende o encerramento das escolas. Não podem ser "exceção", disse Mário Nogueira.

Esta terça-feira, o Presidente da República revelou que na próxima terça-feira serão ouvidos os especialistas sobre o encerramento das escolas.

No Parlamento, o primeiro-ministro disse "há 13 escolas encerradas por surtos" de covid e 39 736 alunos em regime não presencial.

Esta manhã, no arranque da campanha de testagem rápida numa escola,, o secretário de Estado da Saúde reforçou a necessidade de manter as escolas abertas, mas lembrou que e o governo não hesitou em confinar em março nem hesitou quando foi para desconfinar, agora o governo também não hesitará quanto a este 2º confinamento, afirmando que será feito com a mesma vontade e convicção: "Não desistiremos e recomeçaremos a cada momento que for necessário".

Cada vez mais câmaras pedem encerramento

A suspensão da atividade letiva e educativa em regime presencial do 3.º ciclo e ensino secundário no concelho de Viseu é uma das exigências ao Governo da Comissão Municipal de Proteção Civil, após reunião com diversos responsáveis.

"Exigir à tutela a suspensão da atividade letiva e educativa em regime presencial do 3.º ciclo e ensino secundário nos estabelecimentos de ensino do concelho de Viseu, passando estes níveis de escolaridade a funcionar na modalidade de ensino à distância, por um período de 15 dias, e com posterior avaliação", refere um comunicado hoje enviado à agência Lusa.

Uma decisão unânime da Comissão Municipal de Proteção Civil (CMPC) de Viseu, que reuniu na terça-feira para avaliar a propagação da pandemia e, em particular, o impacto da situação nos estabelecimentos escolares.

Em Mira de Aire, 40% dos alunos estão em casa e câmara também pede fecho das escolas

O presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, pediu hoje o fecho das escolas na freguesia de Mira de Aire, onde 40% dos alunos estão em casa na sequência da pandemia de covid-19.

"Cerca de 40% dos alunos já estão em casa. São 165 alunos e mais 19 professores e oito funcionários que estão em casa, seja por estarem positivos ou por obrigatoriedade de isolamento profilático", disse Jorge Vala.

Em Mira de Aire, um total de 428 alunos frequenta duas escolas do 1.º ciclo com pré-escolar e a escola básica 2,3 com secundário, adiantou.

"Na comunidade escolar há pelo menos 25 casos positivos de covid-19", referiu o presidente deste município do distrito de Leiria, salientando que a freguesia "continua a ter diariamente novos casos", além de ter registado um surto num lar, agora praticamente ultrapassado, que infetou quase todos os utentes e alguns dos funcionários.

Na semana passada, o município pediu à Administração Regional de Saúde do Centro, Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral e Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares "o confinamento de toda a comunidade escolar de Mira de Aire, professores, alunos e pessoal não docente", perante "o aumento exponencial de casos e da necessidade de muitas pessoas terem de ficar em isolamento".

Esta terça-feira, Torres Vedras também pediu o encerramento dos estabelecimentos de ensino no concelho, perante a sobrecarga no hospital local.

A Câmara Municipal de de Torres Vedras pediu ao Ministério da Educação para encerrar as escolas do Concelho devido ao elevado número de casos covid-19. A novidade foi revelada pelo presidente do município, Carlos Bernardes, na reunião pública do Executivo de segunda-feira, soube o DN.

O delegado de Saúde da região em cooperação com a vice-presidente e presidentes de agrupamentos escolares e a proteção civil elaboraram um documento a justificar o fecho das instituições de ensino, que o edil disse ter encaminhado para o ministro Tiago Brandão Rodrigues.

Carlos Bernardes defendeu ainda a necessidade do Exército Português ir para a rua "em regime de patrulhamento de proximidade para dar confiança aos concidadãos em estreita cooperação com a GNR e com a PSP". E pediu "mais enfermeiros e médicos", revelando que já falou com "quem de direito sobre isso".

OMS diz que pode ser preciso reforçar medidas nas escolas secundárias

A Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou hoje que pode ser preciso reforçar nas escolas secundárias as medidas contra a pandemia pois os adolescentes de 16 a 18 anos transmitem o vírus mais rapidamente do que os mais novos.

Numa atualização informativa semanal, a OMS diz que os adolescentes entre os 16 e os 18 anos transmitem o vírus "tão frequentemente quanto os adultos e mais prontamente do que crianças mais novas" e acrescenta ainda que foram relatados mais surtos nas escolas secundárias do que nas primárias.

"Em particular, os adolescentes mais velhos devem ser lembrados para limitarem o risco de exposição fora dos ambientes escolares, evitando situações de alto risco, incluindo espaços lotados, de contacto próximo e mal ventilados", refere.

O OMS cita estudos que sugerem que as crianças menores de 10 anos são menos suscetíveis e infeciosas do que as mais velhas e aponta uma investigação na Noruega, entre agosto e novembro de 2020, que encontrou "transmissão muito baixa de criança para criança e de criança para adulto em escolas primárias (crianças de 5 a 13 anos) que tinham medidas de prevenção e controle de infeção em vigor".

"Estudos de carga viral sugerem que as crianças com sintomas carregam tantos vírus no nariz, boca e garganta quanto os adultos, mas por períodos mais curtos, com pico de carga viral respiratória logo após o início dos sintomas, seguido por um rápido declínio", explica.

Nas escolas, a OMS aponta os dados recolhidos no Reino Unido relativos à Grã-Bretanha e Irlanda do Norte que sugerem que a transmissão do novo coronavírus entre o pessoal operacional era mais comum, entre funcionários e alunos menos comum e de aluno para aluno era ainda menos frequente.

No entanto, sublinha que há "poucas evidências" de que os funcionários das escolas corram um risco maior de infeção quando estão no ambiente escolar do que a restante população adulta.

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