Suspeita em Espanha deu negativo. África quase sem casos

Espera-se que seja o fim da epidemia que infetou mais de 28 mil pessoas e matou 11 mil. Só Guiné Conacri registou seis doentes

No dia 7 de novembro, a Serra Leoa vai ser declarada livre de ébola, depois de seis semanas sem casos e se nenhum for registado até lá. A Libéria foi considerada livre de transmissão a 3 de setembro. A Guiné Conacri não registou, durante duas semanas, qualquer caso, o que foi inédito. O último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado ontem, regista seis novos casos positivos nas duas últimas semanas na Guiné Conacri, que estão ligados a uma cadeia de infeção conhecida. Ontem, Espanha confirmou que o caso suspeito de um guineense, de 24 anos, era negativo e que estava afinal infetado com malária. O surto de ébola infetou 28 539 pessoas e matou 11 298.

Na África Ocidental, os casos são cada vez menos. "Aparentemente estamos a assistir ao final do surto de ébola. Mas ainda é cedo para dizer que já acabou. Ao olhar para este cenário, acredito que o objetivo da OMS de acabar com o surto até ao final do ano vai ser conseguido", diz ao DN Jaime Nina, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT). Confiança porque o número de casos novos é baixo. Cedo porque ainda há pessoas a ser seguidas que podem resultar em casos positivos, a maioria na Guiné Conacri. A OMS fala de 364 casos em seguimento, dos quais 141 são de alto risco, e ainda de 233 que não estão localizados.

Charlotte Oliveira, enfermeira e doutoranda no IHMT, foi uma das voluntárias dos Médicos sem Fronteiras. Esteve primeiro no Congo, depois na Serra Leoa no final de 2014 e início de 2015, onde deu medicamentos antimaláricos, para reduzir o risco de malária que o ébola fez disparar, e a tratar de doentes. "No Congo acho que estava preparada, foi num surto mais pequeno de 60 pessoas. Na Serra Leoa tínhamos de estar protegidos da cabeça aos pés, ter muito cuidado nos locais públicos se alguém nos tocava para ver se tinha um ar adoentado. Para isso não estava preparada", conta.

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