Surto de antraz mata criança na Rússia e leva dezenas ao hospital

Quarenta e uma crianças foram hospitalizadas na cidade por suspeitas de estarem infetadas

Um rapaz de 12 anos morreu em consequência de um surto de antraz no extremo norte da Rússia, e dezenas de pessoas foram hospitalizadas por suspeita de infeção com a bactéria, indicou esta segunda-feira o governador da região.

A região de Yamalo-Nenetsky, a cerca de dois mil quilómetros a nordeste de Moscovo, está de quarentena há uma semana, depois de a bactéria ter infetado pelo menos nove pastores nómadas de renas e os seus animais.

"Recebi a informação da morte de um rapaz no nosso hospital. Não tenho palavras para expressar o que sinto", afirmou o governador Dmitry Kobylkin, citado pela agência France-Presse.

Este é o primeiro surto de antraz desde 1941 na região, que tem uma muito baixa densidade populacional.

As autoridades locais atribuem a responsabilidade do surto ao aquecimento global, que terá derretido uma camada de gelo muito antiga, expondo o corpo de uma rena infetada.

"A infeção mostrou como consegue ser insidiosa, ao retornar 75 anos depois para reclamar a vida de uma criança", afirmou Kobylkin.

Um total de 72 pessoas, entre as quais 41 crianças, foi hospitalizada na principal cidade da região, Salekhard, por suspeitas de estarem infetadas.

Até agora, nove pessoas foram testadas positivamente como portadoras da bactéria, incluindo o rapaz que morreu, indicaram hoje as autoridades locais.

Mais de 2.300 renas foram mortas em resposta ao surto na região, onde mais de 250 mil animais se alimentam livremente no verão, indicaram as mesmas fontes.

As autoridades russas indicaram ainda que as pessoas e animais estão ser vacinados e estão a ser distribuídos medicamentos antibacterianos aos visitantes da área em quarentena.

A infeção foi identificada no passado dia 25 de junho, depois de muitas mortes de renas, indicou esta segunda-feira o serviço sanitário da região, que garantiu que o local da infeção se encontra isolado e que a região tem vacinas e antibióticos suficientes.

A região não tinha casos registados de antraz desde 1941 e era considerada formalmente liberta da bactéria desde 1968.

Temperaturas contínuas acima dos 35 graus centígrados há mais de um mês terão derretido camadas de gelo permanente e permitido a ativação dos esporos mortais, que têm a capacidade de permanecer adormecidos no gelo durante séculos.

A infeção por antraz não se dá por contacto direto das pessoas ou animais infetados, mas através da dispersão de esporos.

Os humanos podem contrair antraz por ingestão de carne infetada ou por exposição prolongada a animais doentes.

A bactéria potencialmente letal existe na natureza, no solo, e infeta com frequência o gado, que inala os seus esporos enquanto pasta.

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