Subida do nível do mar nunca foi tão rápida em três mil anos

Entre 1900 e 2000, os oceanos e os mares do planeta subiram cerca de 14 centímetros.

A subida dos oceanos acelerou no século XX e tornou-se a mais rápida dos últimos três milénios. Esta é a principal conclusão de um novo estudo que liga este fenómeno ao do aumento da temperatura do planeta, devido às emissões de gases com efeito de estufa da civilização industrial.

Esta é a "boa" notícia. A má diz respeito ao que aí vem: as projeções indicam que a subida do nível do mar ainda vai sofrer maior aceleração ao longo do século XXI, mesmo que se concretizem as ambições do acordo de clima de Paris, com o fim da utilização dos combustíveis fósseis perto do final do século.

A aceleração da subida dos oceanos não é exatamente uma surpresa. Estudos anteriores já apontavam essa tendência - medições da NASA, do ano passado, já tinham mostrado que só nos últimos 20 anos houve um aumento médio de 7,6 centímetros no nível global do mar. No entanto, a perspetiva histórica do novo estudo, publicados hoje na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostra uma nova dimensão do problema.

Os números mostram que, entre 1900 e o ano 2000, o nível do médio do mar subiu 14 centímetros, a uma média anual de 1,4 milímetros ao ano. Mas, entretanto, estas médias já estão todas inflacionadas. As medições feitas NASA colocam agora a taxa anual da subida dos mares em 3,4 milímetros ao ano, o que explica que só nas últimas duas décadas o aumento global tenha chegado aos 7,6 centímetros.

Pelas contas da equipa liderada por Robert Kopp, da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, que fez o estudo, sem o contributo das emissões de gases com efeito de estufa desde o início da era industrial, o oceano teria apenas sofrido uma variação entre menos três e mais sete centímetros ao longo de todo o século XX e não os 14 que foram de facto registados.

"Penso que podemos estar razoavelmente confiantes de que a subida do nível dos oceanos vai continuar a acelerar se o aquecimento [da temperatura média do planeta] continuar, o que, de qualquer forma, vai inevitavelmente acontecer", sublinhou ao New York Times o geofísico Stefan Rahmstorf, do Potsdam Institute for Climate Impact Research, um dos autores do estudo agora publicado.

Em números, esse futuro que já não está assim tão distante pode traduzir-se numa subida média do nível do mar entre 24 e 61 centímetros para um cenário de baixas emissões, ou entre 52 centímetros e 1,31 metros no pior dos casos, ou seja, com emissões mais elevadas.

Em qualquer dos casos, a tendência para haver mais inundações costeiras será - já é - inevitável. É o que mostra, de resto, um outro trabalho de investigação publicado hoje por parte da equipa, que contabilizou os episódios de inundações costeiras em dois períodos distintos - entre 1955 e 1964, e entre 2005 e 2014 ­e que verificou um enorme aumento na frequência desses episódios em diferentes regiões dos Estados Unidos. Por exemplo, em Charleston, houve 32 dias com inundações em todo o primeiro decénio, ao passo que no segundo chegou aos 394 dias de inundação.

Com o nível do mar mais alto e depressões mais intensas, como preveem os cientistas do clima, os temporais acabam também por produzir maiores amplitudes de ondulação, o que por sua vez gera inundações mais frequentes e mais destruidoras.

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