Marta Temido revela que estratégia de testes prevê a subcontratação

A ministra da Saúde diz que o reforço da testagem em locais como escolas e obras pode ser realizado por outros profissionais, numa altura em que há uma revisão em alta do número de vacinas previstas até ao final do primeiro trimestre.

A ministra da Saúde revelou que a atualização da estratégia nacional de testes pode passar pela subcontratação de profissionais exteriores ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). A estratégia, em vigor desde esta segunda-feira prevê testagens em cada 14 dias em locais como escolas, prisões, obras, fábricas, etc., em concelhos com mais de 480 casos de covid-19 por 100 mil habitantes, o que estava a levantar preocupações junto dos médicos do SNS.

"É um problema muito pertinente na medida em que temos de fazer uma utilização eficiente dos seus esforços [profissionais de saúde] para garantir que as prioridades não são desacauteladas. A realização dos testes nesses locais pode ser feita pelos profissionais do SNS ou pode ser feita por entidades subcontratadas. Temos estas duas vias de ação que podem ser equacionadas para permitir a maior rentabilização dos profissionais e também acautelando a preocupação de que os profissionais de cuidados de saúde primários retomem a normalidade da atividade assistencial no mais curto prazo possível", disse Marta Temido em resposta à pergunta do DN na conferência de imprensa realizada esta tarde.

A ministra fez uma atualização sobre o processo de vacinação em Portugal. Até às 13.00, tinham sido administradas 533.070 vacinas, das quais 333 mil em primeira dose. Ou seja, até agora 200 mil pessoas receberam as duas doses da vacina.

Portugal recebeu 694.800 doses de vacinas, sendo que hoje deve, chegar mais 104.130 doses da Pfizer/BioNTech e na sexta-feira 93.600 da AstraZeneca. Agora as previsões apontam para que no final do primeiro trimestre o país tenha importado 2,5 milhões de doses das vacinas.

"Temos hoje a expectativa de mais vacinas no primeiro trimestre do que tínhamos há oito dias. Recordo que estimávamos 1,9 milhões e hoje já estamos a estimar 2,5 milhões de uma quantidade de 4,4 milhões de doses contratualizadas para o primeiro trimestre", disse. "Há aqui uma aproximação ao plano de vacinas contratadas, mas não está ainda totalmente confirmado, vai sendo confirmado praticamente semana a semana", preveniu.

AInda assim, para a governante "não há motivo nenhum neste momento" para considerar que o país não vai cumprir a meta de vacinar 70% da população contra a covid-19 até ao final do verão - um objetivo que ainda hoje o comissário europeu do Mercado Interno reafirmou por outras palavras. Para Thierry Breton a prioridade da UE é ajudar as fábricas em espaço europeu a produzir mais vacinas para que todas os cidadãos que queiram possam ser vacinados até ao final do verão.

143 mil vacinas nesta semana

Para esta semana, adiantou, está prevista a inoculação de 143 mil pessoas, entre as quais um "número significativo" de marcações para pessoas acima dos 80 anos ou entre os 50 e 79 anos e uma das quatro comorbidades (doença coronária, insuficiência cardíaca, insuficiência renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica), além de "27.500 segundas doses para completar ciclos de vacinação" contra a covid-19.

A ministra da Saúde e o primeiro-ministro António Costa foram hoje vacinados. Na sexta-feira tinha sido a vez do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

Sobre os números de transmissões de covid-19 em Portugal, Marta Temido falou em "estabilização", e disse que há hospitais "já a reconverter enfermarias covid em enfermarias não covid", fruto da diminuição dos números da pandemia.

Contudo, voltou a salientar que ainda há cerca de 800 doentes em unidades de cuidados intensivos.

"Enquanto mantivermos este nível de pressão teremos imensas dificuldades em garantir outro tipo de cuidados programados que exigem cuidados intensivos", alerta.

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