"Sou a favor que na população em geral se comece a retirar as máscaras", diz virologista

O virologista Pedro Simas defende que "estamos em condições de começar a testar com prudência o regresso à normalidade".

"Temos que ser inteligentes e usar a máscara e outras medidas de prevenção se de facto houver maior incidência de outros vírus respiratórios na população de risco e não na população em geral. Sou a favor que na população em geral se comece a retirar as máscaras e nada melhor do que começar pelo exterior." Esta é a posição do virologista Pedro Simas sobre a possibilidade do levantamento de máscaras. Isto numa altura em que existe uma elevada taxa de vacinação no país.

Em entrevista à rádio TSF, Pedro Simas considera mesmo que algumas medidas de desconfinamentos previstas para setembro já podiam entrar em vigor, tendo em conta os níveis de vacinação. "Fazia sentido ter revisto algumas medidas já no inicio de agosto, porque a imunidade de grupo na sequência da vacinação evoluiu muito. Estamos em condições de começar a desconfinar, a testar com prudência o regresso a uma vida normal."

Segundo o Jornal de Notícias, o uso obrigatório de máscara continuará a ser obrigatório até 12 de setembro, mesmo com 70% da população totalmente vacinada, uma meta que poderá acontecer já esta semana. O Governo só deverá avaliar a entrada em vigor da segunda fase de desconfinamento na reunião de Conselho de Ministros de 26 de agosto.

Virologista otimista com o próximo outono/inverno, mas preocupado com vírus da gripe

No que se refere ao próximo outono/inverno, o virologista Pedro Simas mostrou-se otimista, considerando, em declarações à TSF, que será mais próximo da normalidade. Mostrou-se, no entanto, preocupado, uma vez que nos últimos dois anos ficou quase esquecido o vírus da gripe em termos de vacinação.

"É muito importante que tenhamos um forte plano de vacinação, porque durante dois anos interrompemos o círculo natural de outros vírus respiratórios. É muito importante que todos os anos exista uma percentagem da população infetada com gripe e outros vírus respiratórios para manter a imunidade de grupo. Isso foi interrompido e há expectativa se vai aumentar muito ou não a incidência destas infeções respiratórias", referiu Pedro Simas.

O virologista referiu que "todas estas medidas de mitigação de transmissão do vírus SARS-CoV-2", como o uso das máscaras, "têm impacto nos outros vírus respiratórios". "Sabemos que para este tipo de infeções virais a circulação da infeção na população é muito importante para manter a imunidade populacional".

Nesse sentido, explicou, "a imunidade de grupo para estes grupos não bloqueia ou erradica a circulação do vírus na comunidade, esta é uma imunidade que tem efeito protetor sobre a infeção de outras pessoas mas não é absoluto". "Mas vamos ter que aceitar que existe uma taxa de infeção que é normal para estes vírus", indicou na mesma entrevista.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG