Seca só acaba se chover acima da média em março e abril

Chuva veio para ficar, pelo menos até domingo. Mas ainda não chega. 21 barragens estão abaixo dos 40% da sua capacidade

A chuva chegou, finalmente, nos últimos três dias de fevereiro e, ao que parece, vai durar pelo menos até ao próximo fim de semana. Mas ainda não chega. Mesmo que esta precipitação alivie pontualmente o problema da secura dos solos, "ela ainda não é suficiente para acabar com a situação de seca no território do continente", adianta ao DN a meteorologista Vanda Cabrinha, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Para que a seca termine, adianta a especialista, "é necessário termos precipitação acima da média durante os meses de março e abril". Já na Madeira, a passagem, ontem da tempestade Emma causou o cancelamento de voos e encerramento de algumas escolas.

Para os próximos dias as previsões do IPMA apontam para a continuação de tempo favorável à ocorrência de precipitação. Como amanhã, por exemplo, em que o céu estará geralmente muito nublado, com aguaceiros, por vezes fortes e de granizo, que vão diminuir a partir da tarde na região Sul. Na Serra da Estrela a precipitação será de neve, que descerá gradualmente para os 800 metros de altitude nas regiões Norte e Centro, no território continental a partir do final da tarde. Estas mesmas condições vão manter-se sensivelmente idênticas nos dias seguintes, pelo menos até domingo, prevendo-se um aumento da temperatura mínima no sábado, mas com a continuação do regime de aguaceiros, por vezes fortes, que poderão ser de neve nas terras altas do centro do país.

Já ontem as condições meteorológicas foram de precipitação, com aguaceiros fortes e queda de neve acima dos 600 metros na região norte, a que se juntaram ainda ventos e agitação marítima fortes, condições meteorológicas que acabaram por estar na origem de cerca de 500 ocorrências no território continental, com quedas de árvores e corte de vias devido à neve que caiu no norte e no centro do país. Nos distritos de Viseu, Bragança e Vila Real, justamente por causa da neve, muitas escolas estiveram ontem encerradas. E, em Bragança, pelo menos 12 viaturas ficaram danificadas quando as proteções dos estacionamentos de duas superfícies comerciais desabaram sob o peso da neve.

Já na Madeira, que estava em aviso amarelo - e vermelho na costa norte - para a agitação marítima e o ventos fortes, houve aulas suspensas na tarde ontem nas escolas da freguesia do Curral das Freiras e nas do concelho de São Vicente, devido ao agravamento do estado do tempo. Também no concelho de Câmara de Lobos, uma turma foi retirada de um infantário no município da Ribeira Brava, na zona oeste da ilha, devido a infiltrações na sala de aula.

Tanto nas ilhas como no continente, as condições para a ocorrência de precipitação vão manter-se nos próximos dias, mas para haver efeito, nomeadamente no território continental, na diminuição da seca é preciso que a chuva continue para além de domingo.

"A precipitação média para o mês de março é de 61 milímetros [mm] mas para deixarmos de estar em seca era preciso que fosse cerca do dobro neste mês, com a precipitação distribuída ao longo das semanas, e por todo o território continental, e que em abril também chovesse pelo menos a média, que é de 78,9 mm", adianta Vanda Cabrinha.

No seu último boletim sobre a seca, com a data de 15 de Fevereiro, o IPMA registou um "agravamento da intensidade da situação de seca em relação ao final de janeiro". A precipitação entre 1 e 15 de fevereiro (17,6 mm) correspondeu apenas a 35% do valor médio para aquela quinzena. Na distribuição geográfica, estes valores em relação à média andaram entre os 2%, em Castelo Branco, e os 96%, em Aveiro.

A repercussão no índice de água no solo foi naturalmente de agravamento em relação 31 de janeiro, em particular nas regiões a sul do Tejo, onde a percentagem de água no solo nessa data variava entre os 20% e os 40%, com alguns valores abaixo disso em alguns locais do Alentejo e do Algarve.

Nas barragens, o volume de água armazenada a 16 de fevereiro tinha aumentado em três bacias hidrográficas (Cávado, Ave e Sado) e diminuído em nove. No Sado, esse ligeiro aumento ficou a dever-se a transferências de água a partir de Alqueva , segundo dados da APA. Das 62 albufeiras monitorizadas, sete têm volumes de água superiores a 80% e 21 têm valores inferiores a 40%, ou seja, com médias inferiores às médias de armazenamento para o mesmo para o período de 1990/91 a 2016/17.

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