Se faltar à vacina, passa para o fim da lista. Saiba o que deve fazer

Quem falta à vacina, mesmo com razão válida, deve informar o centro de vacinação, senão a espera será longa para nova marcação. Em Lisboa, agendamentos só para daqui a 15 dias.

Maria Ribeiro completou 30 anos em abril. Aguardou, ansiosa, o momento da vacina contra a covid-19. Assim que foi lançado o autoagendamento para a sua faixa etária inscreveu-se, conseguindo vaga para daí a uma semana. Em menos de 24 horas recebeu o SMS a confirmar o dia, a hora e o local onde teria de se apresentar, mas dois dias antes da data marcada teve de ficar em isolamento profilático, por ser contacto de risco de duas colegas que testaram positivo.

Foram sete dias a verificar sintomas e a fazer testes de rastreio, e não conseguiu ir à vacina na data agendada. Não avisou o centro de vacinação nem a linha SNS24, com quem falou várias vezes por estar em isolamento. Maria contou ao DN achar que "a identificação do meu isolamento estava registada no sistema de saúde e que os centros de vacinação também tinham acesso a essa informação. Não estava a faltar para ir de férias ou para a praia. Estava em isolamento", disse.

Já lá vão três semanas e nunca mais conseguiu reagendar a data. No sábado passado, andou por vários centros de vacinação de Lisboa, concelho onde reside, para saber o que poderia fazer ou se haveria vacinas disponíveis para ser vacinada. Mas nada. "Fui a quatro centros e em todos me disseram que não havia vacinas disponíveis. Só havia vacinas para segundas doses e alguns centros nem estavam a fazer Casa Aberta", contou ainda.

Quanto à sua situação, a resposta também foi a mesma em quase todos os centros: "Se faltou vai para uma lista de espera, tem de aguardar que a contactem." Por mais que Maria Ribeiro explicasse que faltou por estar em isolamento profilático, mostrasse comprovativos, SMS a darem-lhe autorização para voltar ao trabalho, ao fim de uma semana e depois de o quarto teste ser negativo, a resposta era a mesma. "Vai para o fim da lista." Nesta altura, Maria já perdeu a esperança de ser vacinada antes de ir férias na próxima semana. "Os meus amigos e colegas já foram vacinados", argumenta, mas pouco há a fazer.

Maria deveria ter telefonado para o centro de vacinação onde tinha agendado a vacina. Segundo explicou ao DN fonte da task force para a vacinação, esta é a melhor forma de resolver situações de ausência à vacina. "Depois de o cidadão dizer "sim" ao SMS a confirmar o agendamento, já não consegue fazer o reagendamento. O sistema não permite. Para todos os efeitos aquele número de utente já tinha agendado a vacina e dito que sim." A jovem passou para o final da lista de vacinação, houve mesmo quem lhe dissesse que tinha passado para uma "lista de espera" e que mais tarde seria contactada. O processo de vacinação para ela e para os outros a quem poderá ter acontecido o mesmo irá levar mais tempo para se concretizar.

A mesma fonte da task force explicou: "Os utentes que responderam "sim" ao SMS de agendamento e não possam, por motivos de saúde, comparecer no centro de vacinação covid-19 [CVC] na data agendada e confirmada devem contactar a linha SNS24 ou informar o centro de vacinação de forma a proceder ao reagendamento. Caso não tenha sido feito o reagendamento pode esperar por nova chamada, através de SMS ou chamada telefónica ou aderir à modalidade Casa Aberta, quando estiver disponível para a sua faixa etária."

A questão é que, neste momento, há menos vacinas disponíveis. Aliás, e como disseram ao DN, "neste momento, estão garantidas as segundas doses. Na modalidade de Casa Aberta está a ser disponibilizada a vacina da Janssen", que em Portugal é dada aos homens em qualquer idade e às mulheres a partir dos 50 anos, para mais jovens só com consentimento informado. E, por agora, não há data para quando será lançada a modalidade Casa Aberta para a faixa dos 30 anos. "Acontecerá assim que chegarem mais vacinas", garantiram.

Jovem residente em Lisboa não conseguiu marcar vacina para os próximos 15 dias

A região de Lisboa e Vale do Tejo é a que tem maior densidade populacional no país e a que está mais atrasada no processo de vacinação. Nesta semana, quando foi lançado o autoagendamento para maiores de 18 anos, um jovem residente em Lisboa não conseguiu sequer marcar a vacina num dos centros da capital. "Ao fim de algumas horas consegui marcar para Loures, mas só para 12 de agosto." O DN contactou a task force para saber o que terá acontecido, mas não foi possível obter resposta.

Os laboratórios farmacêuticos estão a ter dificuldade em cumprir os compromissos assumidos para entregas de vacinas. Não só Portugal, mas outros países da UE voltam a viver nova fase de escassez. As segundas doses estão asseguradas, mas há regiões com dificuldade em agendar novas marcações.

No entanto, e como referiu o coordenador da task force, vice-almirante Gouveia e Melo, na reunião do Infarmed de terça-feira, é esperado um milhão de vacinas nas próximas semanas, mas enquanto não as recebe o governo está a negociar a compra de doses que estão disponíveis noutros países, nomeadamente a Bulgária, que tem doses disponíveis, mas não tem capacidade para as administrar, e a Noruega, que tem doses da AstraZeneca porque o governo decidiu não as administrar à população. Em Portugal, estas doses foram dadas à população com mais de 60 anos, cuja grande maioria está vacinada, e vão ser aproveitadas também para cumprir compromissos de doação de vacinas aos PALOP.

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