Sara Quaresma: "Senti sempre um apoio muito grande na minha progressão de carreira"

Advogada de formação, Sara Quaresma é hoje uma das seis sócias portuguesas na Cuatrecasas, onde está desde 2014. O mérito é a principal forma de reconhecimento na empresa, diz.

Apesar de reconhecer que existe, ainda, trabalho por fazer no que à paridade de género diz respeito, Sara Quaresma reconhece ao Diário de Notícias que o equilíbrio entre homens e mulheres tem vindo a ser uma preocupação crescente também na advocacia. A sócia da Cuatrecasas, onde se dedica sobretudo ao apoio ao mercado imobiliário, recorda com nostalgia o início de percurso na sociedade. "Em 2014, éramos apenas três advogados com um estagiário e, hoje em dia, temos uma equipa de dez advogados que cresceu imenso, ganhou muito reconhecimento e é uma equipa de referência", afirma. Desde essa altura, Sara Quaresma foi promovida a sócia em abril de 2020, no pico da pandemia, um "sinal importante do escritório" e "um reconhecimento" do trabalho que vinha fazendo. "Senti sempre um apoio muito grande na minha progressão de carreira", assegura.

Sobre o esforço para tornar o mundo do trabalho mais igualitário, a advogada lembra que "temos muitas mulheres a licenciarem-se, e até em número superior aos homens, mas o que é certo é que quando chegamos aos lugares de topo, esses números descem bastante em desfavor das mulheres".

Embora diga nunca ter sido prejudicada, a nível profissional, por ser mulher, Sara Quaresma aponta caminhos de melhoria, como o apoio das entidades empregadoras no equilíbrio entre vida profissional e pessoal, que podem ter um papel importante no desempenho feminino. "Há também uma promoção do mérito nas fases de captação, de desenvolvimento de carreira e também na retenção de talento, em que o nosso escritório aposta fortemente", elenca.

Mas será a área da advocacia ainda muito tradicional? "Nesta profissão ainda existe um pouco a ideia de que são mais homens advogados, apesar de já termos muitas advogadas e a tendência estar a inverter-se", observa. Aliás, a profissional lembra mesmo que o cargo de managing partner da Cuatrecasas é ocupado por uma mulher, Maria João Ricou. Admite, contudo, ter sentido "alguma resistência" ocasional por ser uma mulher advogada em contexto profissional, mas faz questão de sublinhar que todas as empresas por onde passou encaravam a questão da paridade como prioridade.

Por considerar que este "é um tema que tem de estar na agenda", Sara Quaresma elogia a iniciativa da CIP e da Nova SBE para a criação de um programa de formação para a liderança no feminino. "É um contributo para que isto continue a ser um tema, para que se consiga apostar e desenvolver as competências de talentos para impulsionar a progressão na carreira e ter mais mulheres em cargos de liderança", acredita. A nível pessoal, olha para o programa do programa Promova como "muito interessante, diversificado e com foco em várias áreas importantes do desenvolvimento pessoal". Destaca particularmente as ações de mentoria. "Acho que a CIP fez um matching muito minucioso e, pelo menos no meu caso, resultou muito bem", adianta.

O desenvolvimento de competências, profissionais e sociais, é um dos pontos mais fortes que vê no plano de formação que frequentou, já que ajuda "a perceber o nosso papel dentro de uma estrutura e equipa". É, também, um passo na direção certa para "incentivar a ascensão de mulheres a mais cargos de direção", ainda que a especialista em direito defenda que "o tema [da paridade] joga-se mais a nível cultural" e que "exige medidas das entidades e das organizações, mas que têm de ser incutidas na sociedade para terem resultados a longo prazo".

A caminho da paridade

Presente internacionalmente, a Cuatrecasas é uma sociedade de advogados com mais de 1600 colaboradores em 27 escritórios espalhados por 13 países. Este enquadramento é fundamental para perceber o esforço global que a empresa tem feito, desde 2015, para atingir a paridade de género em todos os níveis de responsabilidade da hierarquia. "A nível global, a proporção entre mulheres e homens é atualmente de 56%-44%, sendo que 24% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres e o número de sócias (34) corresponde a 15% do total", confirma a organização. Em Portugal, "há uma distribuição de 50%-50%" e em termos de sócios 26% são do sexo feminino.

Porém, atingir os valores da igualdade implica um trabalho cuidadoso na implementação de políticas internas para garantir que todos os colaboradores têm acesso às mesmas ferramentas de evolução. Incluem-se medidas como a transparência em relação à representação de género, a neutralidade de género na avaliação de promoções ou contratações, assim como o aperfeiçoamento de modelos de trabalho flexível que proporcionam melhor conciliação entre a vida pessoal e a profissional. "É um foco fundamental e definido como objetivo estratégico da firma", assegura Sara Quaresma.

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