"Resistir à pressão dos filhos é um dever dos pais"

O pediatra Mário Cordeiro diz que é um bom exemplo para as crianças, enquanto futuras consumidoras, os pais ensinarem que umas vezes se diz "sim", outras "não"

As empresas de distribuição estão a apostar cada vez mais no marketing infantil com campanhas de brinquedos e colecionismo. O que se pretende com estas ações?

Parece-me evidente que estas campanhas têm como objetivo estimular as compras e o consumo. É a sociedade de consumo e a economia de mercado a funcionar.

O que acha destas campanhas. São corretas do ponto de vista educativo?

Podemos discutir se as ofertas são bonitas ou feias, se poderiam ser isto ou aquilo, se o dinheiro poderia ir para solidariedade social (ambas as cadeias, creio, já têm programas de apoio social à infância). Agora o que é certo é que só compra quem quer. Ninguém nos aponta uma pistola à cabeça e quando entramos no supermercado o carrinho vai vazio. O que chega à caixa é da nossa inteira responsabilidade.

Que impacto é que têm nas crianças? E como é que os pais devem agir?

Será um bom exemplo para as crianças enquanto futuras consumidoras os pais ensinarem que umas vezes se diz "sim", outras "não". Além disso, resistir à pressão dos filhos - natural e compreensível - é um dever dos pais. E, se acham que não o vão conseguir, então evitem lá ir com crianças. Quem eventualmente se queixar é quem está mal neste filme, não as grandes superfícies, que têm todo o direito de, dentro da lei, fazerem as campanhas que entenderem. Ensinar os filhos enquanto consumidores é uma obrigação e um dever dos pais - se se demitem dele, não culpem depois terceiros.

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