Reduzir açúcar, sal e gorduras é a tendência das marcas

A composição nutricional dos alimentos tem vindo a alterar-se e a saúde agradece.

Portugal é um dos países do mundo com maior consumo de sal por habitante, ultrapassando o limite de cinco gramas diários recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Pelo risco que comporta para a saúde, em particular pelo aumento da probabilidade de eventos cardiovasculares, as marcas de produtos alimentícios têm vindo a dar atenção ao tema. No Dia Mundial da Alimentação, o Continente é uma das cadeias de retalho com marca própria que apostam em reforçar um compromisso iniciado há dois anos: até 2022 quer reduzir 12% do teor de sal em batatas fritas e snacks, mas também 10% do teor de açúcar em iogurtes e leite com chocolate. Os pediatras têm vindo a deixar alertas acerca dos efeitos do consumo destes alimentos nas crianças e a tendência, segundo os últimos estudos da Nielsen IQ Portugal, indica que os consumidores irão valorizar, cada vez mais, a oferta que é verde e sustentável, incluindo do ponto de vista da saúde e do bem-estar.

O esforço para a melhoria da composição nutricional dos produtos tem vindo acentuar-se no mercado. No caso da marca própria do Continente já atingiu, desde 2019, mais de 380 artigos alimentares como bolachas, iogurtes, refrigerantes ou sopas. No total, já foram eliminadas 202 toneladas de sal, 568 toneladas de gorduras saturadas e 1682 toneladas de açúcar por ano, com a preocupação de manter o sabor de sempre.

Porém, o compromisso das marcas com a saúde e o bem-estar dos portugueses pode ir além da reformulação dos seus produtos. Várias insígnias, a nível mundial, têm feito esse caminho. Papas infantis especialmente preparadas para bebés entre os 4 e os 36 meses de idade, produzidas em Portugal, em parceria com um fornecedor especializado em alimentação infantil, pensadas com critérios nutricionais foram lançadas em janeiro em Portugal, pela mesma marca do grupo Sonae. os novos alimentos para bebés apostam em não usar adoçantes, aromas e corantes artificiais, gorduras hidrogenadas ou óleo de palma.

A investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), Ana Rita Marinho, alertava já em 2019 para a importância de "ajudar a população a fazer escolhas alimentares mais saudáveis", no seguimento de um estudo relativo ao consumo de açúcares da população portuguesa em que se apurou que as crianças e os adolescentes são quem mais consome este nutriente em Portugal.

A preocupação com uma alimentação equilibrada e diversa não é apenas uma moda, mas uma preocupação de médicos e consumidores a curto, médio e longo prazo. O desafio, muitas vezes, passa por comprar os produtos saudáveis a preço acessível à carteira dos portugueses. Comer bem não precisa de ser caro e a prova está à vista nas prateleiras - desde bebidas vegetais a sumos de fruta natural, passando por granolas ou bolachas. Os nutricionistas são hoje requisitados por grandes cadeias de retalho para fazerem o desenvolvimento nutricional. Critérios rigorosos como a ausência de gorduras hidrogenadas, óleo de palma e, preferencialmente, sem edulcorantes, corantes e aromas artificiais vão ditar a alimentação do futuro. Mas, claro, a escolha é sempre do consumidor. No Dia Mundial da Alimentação, que hoje se assinala, nunca é de mais lembrar que ser saudável não é um luxo, é um direito de todos.

dnot@dn.pt

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