Quer estudar pinguins na Antártida? Agora já pode

Universidade de Oxford precisa de voluntários para catalogar milhões de fotografias na Internet

Gosta da natureza e sempre sonhou fazer observações da vida selvagem? Então esta notícia é para si. Com o Penguin Watch, um projeto de observação e catalogação de pinguins dos mares do Sul, esse sonho está agora ao alcance de um simples click do rato, e sem sair de casa.

Coordenado Universidade de Oxford, o Penguin Watch pretende avaliar a evolução das colónias de cinco espécies de pinguins na península da Antártida e ilhas próximas, para determinar os impactos das alterações climáticas e de outros problemas ambientais naquelas populações.

A equipa liderada pelo biólogo Tom Hart, monitoriza desde 2009 aquelas colónias, mas entretanto decidiu, em 2014, colocar meia centena de câmaras fotográficas em vários locais estratégicos que têm registado desde então, em permanência, imagens dos pinguins. Isso acabou por gerar uma quantidade tão grande de dados, que se tornou impossível à equipa dar conta do recado, para fazer contagens e catalogar comportamentos e, daí, extrair conclusões. "Não conseguimos fazer o trabalho sozinhos", resumiu Tom Hart à BBC.

Zooniverse, a maior plataforma de ciência com a participação dos cidadãos, onde neste momento estão alojados 48 projetos, que vão da observação e catalogação de galáxias, à descoberta de exoplanetas, da identificação de espécies no Seringueti, ou na área urbana de Chicago, à catalogação de partituras antigas e, agora, também à contagem de pinguins nos mares do Sul.

Zooniverse, e seguir as instruções. Depois é observar fotografias, fazer contagens de pinguins e determinar as espécies presentes, de acordo com as características de cada uma delas, que estão lá muito bem descritas.
Nesta altura, o Penguin Watch já tem mais de três milhões de fotos classificadas, o que só foi possível porque há mais de 30 mil voluntários a participar no projeto.

Este é o novo e admirável mundo dos cidadãos cientistas que, através da Internet, passaram a ter acesso à participação ativa no dia-a-dia da ciência. Não é bem como estar lá, na vastidão gelada da Antártida, ou naquelas ilhas varridas pelo vento, a observar os animais, mas há uma sensação de quase presença, quando se olham os magotes de pinguins, com as suas crias, na paisagem desolada.

A ciência, por seu lado, ganha aqui uma nova dimensão: a quantidade de dados tratados muda de escala, e isso repercute-se numa maior rapidez na obtenção dos resultados e, portanto, em mais conhecimento.
Esta é, de resto, a grande conclusão de um estudo que foi publicado em junho do ano ano passado na Nature Scientific Data pela equipa de um outro projeto deste tipo, o Snapshot Serengeti, também instalado desde 2010 na Zooniverse.

Cinco anos depois, e 1,2 milhões de fotografias classificadas on line por mais de 28 mil voluntários de todo o mundo, a bióloga líder do Snapshot Serengeti, Alexandra Swanson, da Universidade do Minnesota, nos Estados Unidos, concluiu que os resultados obtidos pelo seu projeto validam esta metodologia de observação remota da vida selvagem com a participação dos cidadãos.

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