Que tem o Alqueva? Água a 30º, esqui, paddle e petiscos na ilha dourada

Desportos náuticos, esfoliação com argila ou paisagens pontuadas por castelos são argumentos para atrair turistas

Filipe Ferro eleva a fasquia com um rotundo "bem-vindos ao paraíso", quando a jangada atraca na "ilha dourada". Tem mesmo pepitas que brilham como ouro na única praia natural dotada de areia em pleno lago de Alqueva. "Nunca tinha visto nada assim. Olhe aqui na água tudo a brilhar", comentava Luísa que mergulhava pela primeira vez no maior lago artificial da Europa. A água já está a 26 graus, mas ainda nem é meio-dia. Chegará aos 30 lá mais para a tarde. E o que há para fazer? Desportos náuticos para quase todos os gostos, simplesmente mergulhar, esfoliação com argila e também degustar alguns dos maiores argumentos da mesa alentejana. Com vista repartida entre os castelos de Monsaraz e Mourão.
"Temos aqui o novo Alentejo, que não estava aproveitado", atirava Nuno Cardoso, conhecedor do rio Guadiana antes do Alqueva encher, mas pela perspetiva da pesca ao achigã, enquanto se desenrola em frente uma imagem que seria improvável há uma década. André tinha então apenas 3 anos, mas hoje seria o primeiro a colocar a prancha de wakeboard nos pés para ser puxado a alta velocidade pelo barco que o faz deslizar na água. Sim, já é possível fazer esqui aquático no Alentejo. Mas também se faz paddle e boia de tração.
E não tem faltado procura. "Estamos na moda. As pessoas descobrem o que temos e que a água anda acima dos 26 graus e ficam fãs", conta Filipe Ferro, gestor da Alqueva Cruzeiros, criada há dois anos e meio com uma oferta que combina passeios de barco e desportos náuticos.
Ainda no ancoradouro do Centro Náutico de Monsaraz a agitação é grande. Está "invadido" por banhistas que ali encontram um acesso facilitado à água. Como se de uma prancha de saltos se tratasse. O barco faz-se à viagem ao som do cante alentejano que entoa pelas colunas da jangada, mas à medida que se aproxima da deserta ilha dourada - uma das mais de 250 ilhas que ficaram à tona de Alqueva - muda o CD para ritmos do Caribe. "É para que as pessoas percebam que há aqui uma outra vida", diz.
Bastam 15 minutos e já se está com os pés em terra. Filipe surpreende a comitiva com acelerada montagem de uma pérgula, que garante a sombra sob os 40 graus. Depois abre a mesa para o lanche, bem à moda desta terra. Presunto, queijos, enchidos, azeitonas e pão acabado de fazer na padaria do Telheiro. Também há fruta. Da geleira saem cervejas, sumos e águas. Hoje não há vinho, porque a temperatura não convida, mas costuma haver.
"É para ir comendo, estejam à vontade e divirtam-se", recomendava Filipe, enquanto contava com ajuda dos braços dos homens para encher os paddle insufláveis, 25 euros por pessoa pagam um programa deste género, com duas horas. Filipe ainda oferece o paddle e até dá as dicas aos novatos, depois de ter feito formação sobre a modalidade. A boia de tração e o esqui são pagos à parte.
Mas é a "beleza do campo", que encanta Susana Tadeu, convencendo-a a viajar de Lisboa até ao interior alentejano com Arouca, a sua cadela, acompanhada por João Mestre, que já conhecia esta terra à boleia das estrelas que se mostram pela noite. Faz fotografia astrofísica e já tinha visitado a Reserva Dark Sky Alqueva. "Também vim por causa da Arouca, porque as praias não permitem cães. Mas esta tranquilidade é arrebatadora e para repetir", admitia Susana com os pés de molho, mostrando-se surpreendida com a temperatura da água. "É, sem dúvida, uma das atrações do Alqueva", referia ao DN, enquanto a umas dezenas de metros, na mesma ilha, um casal chega a bordo de um outro barco de passeios turísticos para se dirigir à zona conhecida por spa. Começam ambos a besuntar-se de argila, depois de se sentarem na margem.
Manuel e Ana são de Santarém e escolheram o Alentejo para umas miniférias. "Sabíamos que a região era rica em muita coisa, mas a região banhada por Alqueva está a ser muito melhor do que esperávamos. Monsaraz já é qualquer coisa de extraordinário, mas este autêntico mar de água quase quente deixa qualquer pessoa nas nuvens", dizia Manuel. "Só não dou cinco estrelas porque isto é uma constelação", ironizava, deixando secar a argila esverdeada no corpo, antes de fazer a esfoliação, confiando que vai ter resultados na "rápida" renovação celular e hidratação da pele. "Mesmo que não tenha, só o bem que aqui se está já valeu a pena", acrescentava a mulher.

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