"Qualquer dado enviado por meio do Google Analytics pertence ao cliente"

De acordo com a porta-voz da empresa, a Google "não cria perfis de anúncios a partir de categorias de interesse sensíveis", assegurando ainda que cumpre "diretrizes rígidas que impedem os anunciantes de utilizar esses dados para segmentar anúncios".

A Google garantiu esta sexta-feira à Lusa que qualquer dado enviado através "do Google Analytics ou Tag Manager pertence ao cliente", salientando que não processa nem utiliza dados ou partilha com terceiros, na sequência da notícia do Expresso.

Os principais endereços do Sistema Nacional de Saúde (SNS) têm disponibilizado dados dos cidadãos para exploração comercial da Google e de outras marcas ligadas à publicidade, noticiou hoje o jornal Expresso, que refere que, além de dados de tráfego, como os que são recolhidos pelo serviço Google Analytics, os endereços SNS24.pt e SNS.gov.pt "recolhem dados para campanhas publicitárias através do serviço Doubleclick".

Em declarações à Lusa, a porta-voz da Google afirmou que "qualquer dado enviado por meio do Google Analytics ou Tag Manager pertence ao cliente", salientando que a tecnológica "não processa, utiliza os dados ou os partilha com terceiros, exceto no que é necessário para oferecer o serviço (incluindo o combate à fraude ou abusos, ou a deteção de 'bugs' no sistema), e está sujeito aos nossos termos de serviço e política de privacidade".

A mesma fonte sublinhou ainda que a Google não usa os dados das contas de Google Analytics dos clientes para seus próprios fins de segmentação de anúncios, nem cria perfis de publicidade a partir de dados sensíveis para segmentar anúncios".

A Google "não cria perfis de anúncios a partir de categorias de interesse sensíveis e temos diretrizes rígidas que impedem os anunciantes de utilizar esses dados para segmentar anúncios", concluiu a mesma fonte.

Segundo a porta-voz da Google, são estas entidades que "decidem se partilham os dados ou não com a Google, a Google apenas processa os dados conforme as instruções do cliente", uma resposta semelhante ao que já tinha sido ao Expresso.

O Expresso concluiu, com recurso a algumas ferramentas de monitorização de tráfego, que a recolha de dados "também contempla áreas que o SNS.gov.pt disponibiliza para utentes, agendamento de vacinas covid-19 e solicitação de medicamentos para o VIH".

Questionados pelo jornal, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) garantem que os dados servem apenas para tratamento estatístico e são anonimizados e que "não há partilha de dados pessoais com a Google ou com qualquer outra entidade externa", mas confirmam que procederam a alterações.

"Na sequência das perguntas formuladas, decidimos suspender a utilização da ferramenta Google Analytics", escrevem os SPMS, numa resposta citada pelo Expresso.

O jornal escreve ainda que "a anonimização dos dados impede que o nome do internauta seja revelado, mas não que as empresas de publicidade criem perfis do utilizador mediante localizações, temáticas preferidas, 'sites' visitados, compras efetuadas ou endereços IP armazenados pelo histórico de navegação na internet".

Segundo o Expresso, os 'sites' SNS24.pt e o SNS.gov.pt não são os únicos a partilhar dados, uma vez que os 'sites' da Assembleia da República, SIRP, GNR e PSP, Ivaucher.pt e Autenticação.gov.pt "também permitem exploração comercial de dados de navegação dos cidadãos".

A Google é a marca com maior presença nos serviços que recolhem dados de navegação dos 'sites' do Estado, mas nas ferramentas especializadas é possível encontrar referências ao Facebook ou à Amplitude.com, acrescenta o jornal.

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