PSP recusa vacinação a 3000 agentes que Rui Moreira queria oferecer

A direção nacional da PSP não explica porque não aceitou a oferta da Câmara Municipal do Porto, que deu prioridade à vacinação dos agentes da PSP no seu projeto piloto de vacinação em drive-thru

A Câmara Municipal do Porto (CMP) foi obrigada a cancelar uma operação de vacinação que tinha prevista para 3000 agentes da PSP, no próximo dia 15, segunda-feira, por decisão da Direção Nacional da PSP.

Fonte oficial da autarquia liderada por Rui Moreira, disse ao DN que "estava tudo previsto e tratado com o Comando Metropolitano da PSP do Porto", mas que esta segunda-feira, "a operação foi cancelada por decisão superior e comunicada à CMP pela Senhora Comandante Distrital da PSP".

A vacinação destes 3000 agentes do Porto tinha sido incluída por Rui Moreira naquele que é o primeiro projeto-piloto de vacinação em drive-thru. Trata-se de um projeto, que conta com o apoio do Centro Hospitalar Universitário de São João, o Centro Universitário do Porto e a Unilabs Portugal.

O local, o Queimódromo do Porto, é o mesmo onde Rui Moreira instalou o drive-thru de testagem em larga escala. De acordo com a CMP, "este novo projeto - que contará com 12 linhas de vacinação e permitirá inocular até 2000 vacinas por dia - pretende preparar a cidade para um processo seguro e robusto de vacinação, em larga escala, assim que houver vacinas para a 2ª e 3ª fases do processo de vacinação".

"Na semana passada, fomos contactados pela PSP. Inicialmente, a PSP pediu-nos um edifício onde pudessem ser administradas vacinas a cerca de 3.500 dos seus agentes. Tínhamos uma escola disponível, a de Lordelo, que eles foram verificar e que foi considerada que não tinha condições suficientes", relatou o presidente da Câmara do Porto, dizendo que depois foi apresentada a solução do Queimódromo", refere Rui Moreira, num comunicado pulicado no portal da CMP.

A decisão da PSP revelou-se, pois, uma surpresa para Rui Moreira, ainda mais porque veio de sequência de uma controvérsia em relação à vacinação dos polícias da Polícia Municipal do Porto (PMP) e de Lisboa, que são agentes da PSP em comissão de serviço, que tinham sido excluídos do plano de vacinação da PSP.

Conforme o DN noticiou, o presidente da autarquia ouviu protestos de indignação dos agentes da PMP e escreveu uma carta ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a alertá-lo para a discriminação que estava a ser feita e para o descontentamento que crescia.

Nos 3000 polícias a vacinar poderiam, assim, ser incluídos os cerca de 200 que constituem a PMP, uma vez que a Câmara Municipal de Lisboa já vacinou 42 dos cerca de 500 da PM, incluindo o seu comandante e subcomandante, com as vacinas que sobraram dos lares de idosos.

Questionada a direção da PSP sobre a recusa deste espaço de vacinação oferecido pela autarquia do Porto, ignora o pedido que tinha sido feito a Rui Moreira e responde que "o plano de vacinação da PSP, integrado no N/plano de contingência em execução encontra-se em finalização"

Adianta que "serão, naturalmente, equacionados todos os pontos de vacinação em permanente e estreita coordenação com as autoridades de saúde. No distrito de Lisboa, os Polícias serão vacinados numa estrutura dedicada, organizada em comunhão de esforços com a Cruz Vermelha e a GNR. Nos demais distritos a vacinação dos Polícias será, em princípio, executada com o apoio da infraestrutura do Serviço Nacional de Saúde"

Paulo Santos, presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP) da PSP, afirma que se esta oferta existiu "não se compreende como há poucos dias se criticava uma eventual exclusão dos Polícias em comissão de serviço nas Câmaras de Porto e Lisboa e agora surgem essas vacinas".

Este dirigente salienta que "a PSP e o governo têm de ter a capacidade e garantir que os polícias sejam tratados com a dignidade que merecem. Se estamos na linha da frente e somos importantes para o combate à Pandemia, temos de ser importantes para ser vacinados de forma assumida por quem tem essa incumbência".

Em entrevista recente à TSF, o diretor nacional da PSP, Manuel Magina da Silva, não quis revelar o número de elementos da PSP que estão infetados com a covid-19, mas admitiu que existe "uma quantidade considerável de polícias que estão inoperacionais".

No que diz respeito à vacinação de polícias, Magina da Silva disse que o plano está definido e deverá arrancar este mês. De acordo com o diretor nacional, vão ser vacinados 10 mil operacionais da PSP porque "o número de vacinas não chega para a totalidade do efetivo e foi necessário fazer escolhas" com base na necessidade de manter a capacidade operacional no terreno e de comando.

A PSP diz que "a vacinação prioritária do pessoal da PSP visa, simultaneamente, assegurar a capacidade dos recursos do nível tático e a indispensável capacidade de comando e controlo dos níveis operacional e estratégico".

Foi assim "atribuída prioridade aos polícias que desempenham funções operacionais no dispositivo territorial e na Unidade Especial de Polícia (UEP), nos centros operacionais 112 e nos centros de comando e controlo da PSP".

A PSP salienta que "não será vacinado, nesta fase, o pessoal que desempenha funções de direção superior da PSP, os Comandantes dos comandos territoriais e da UEP" e promete continuar a "envidar todos os esforços que tornem possível a vacinação de todo o pessoal da PSP, incluindo os polícias que prestam serviço nas Polícias Municipais de Lisboa e Porto".

Atualizada as 21h50 com a clarificação da operação em causa: a CMP não oferece as vacinas, mas o espaço de vacinação que tinha sido pedido pela PSP. E às 22h, atualizado com a resposta da PSP.

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