PROTOIRO responsabiliza PAN por desacatos no Campo Pequeno

A Federação Portuguesa de Tauromaquia acusa o partido de "usar um discurso de incentivo ao ódio e de, por consequência, promover violência, vandalismos e agressões sobre cidadãos e famílias"

A Federação Portuguesa de Tauromaquia (PROTOIRO) acusou esta sexta-feira "o PAN de usar um discurso de incentivo ao ódio e de, por consequência, promover violência, vandalismos e agressões sobre cidadãos e famílias que ontem se deslocaram ao Campo Pequeno", onde se realizou uma homenagem à carreira do cavaleiro João Moura.

Em comunicado enviado ao nosso jornal, a entidade dá conta de que repudia e condena "profundamente a violência, insultos, vandalismos, intimidações e agressões que foram realizadas pelos manifestantes, atacando cidadãos e famílias, muitas vezes na presença de crianças, numa demonstração de ódio e total ausência de civismo, além da inexistência de qualquer distanciamento social, no momento pandémico em que nos encontramos, pondo em causa a saúde pública".

A PROTOIRO elogiou o que entendeu ser "a forma ordeira, pacífica e civilizada com que os aficionados suportam estas demonstrações de violência" e acusou o PAN de "aproveitamento político" e de ter transformado "um caso de justiça, que diz respeito à vida pessoal do cavaleiro João Moura, numa tentativa de ataque à cultura tauromáquica e aos valores de tolerância e respeito pela liberdade e diferença de pensamento". "À justiça o que é da justiça, à tauromaquia o que é da tauromaquia. Todos guardamos as conclusões da justiça", acrescentou.

"Condenamos o uso de um discurso de incentivo ao ódio e de justicialismo público, por parte do PAN, que criaram um contexto promotor de violência, como ontem sucedeu, com insultos e agressões, por vezes em frente a crianças, insultadas e intimidadas junto com os pais", prosseguiu a Federação.

"Congratulamo-nos pelo livre exercício da produção e acesso à cultura, com a realização de uma corrida de toiros, num exemplo de livre iniciativa e exercício de direitos culturais consagrados na Constituição Portuguesa, corrida essa que teve um resultado artístico extraordinário", concluiu a organização.

Cerca de 1500 pessoas estiveram esta quinta-feira concentradas junto à praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, em protesto contra as touradas e a homenagem ao cavaleiro João Moura, gritando palavras de ordem como "assassinos" ou "vergonha".

Além de assobiarem e vaiarem quem entrava no Campo Pequeno, os protestantes fizeram barulho com buzinas, vuvuzelas e tambores.

Esta quinta-feira decorreu no Campo Pequeno uma tourada de homenagem ao cavaleiro tauromáquico João Moura, que contou também com participação do seu filho, João Moura Jr.

Em fevereiro do ano passado, João Moura foi detido na sequência do cumprimento de um mandado de busca à sua propriedade, em Monforte, que resultou, ainda, na apreensão de 18 cães subnutridos.

Os manifestantes exibiram faixas e cartazes onde se podiam ler mensagens como "Abaixo a tortura animal"; "É uma vergonha nacional"; "A minha homenagem vai para os galgos que sobreviveram ao João Moura"; "Tauromaquia não é cultura, é tortura"; "Pelo fim da tourada e maus-tratos".

E outras como: "Criminosos homenageados, e os animais esfomeados?"; "Filho de peixe sabe nadar, ou como dizem os Moura: assassinar"; "João Moura aldrabão, o teu lugar é na prisão" ou ainda "Um criminoso nunca será um herói".

Junto ao protesto estava também estacionado um autocarro do IRA - Intervenção e resgate animal e eram visíveis camisolas e bandeiras da organização.

No autocarro foi colocada uma faixa com imagens dos cães quando foram encontrados e a mensagem: "João Moura, trouxemos os teus cães para a homenagem".

A Lusa constatou no local alguns momentos de tensão entre manifestantes e pessoas que se deslocaram ao local para a homenagem, mas foram rapidamente resolvidos com intervenção dos agentes da PSP presentes.

Entretanto foram deslocados para o local da manifestação cerca de uma dezena de agentes da Unidade Especial de Polícia (UEP).

A porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, marcou presença na manifestação e, em declarações aos jornalistas, defendeu que "é absolutamente revoltante que o setor tauromáquico tenha feito esta homenagem, ainda para mais uma homenagem que se diz ser mundial", apontando que "este não é o cartão de visita" de Portugal.

"Homenagear alguém que já faz a sua vida a sacrificar animais na arena é absolutamente incompreensível, mas mais incompreensível ainda quando se trata de alguém que tem contra si um processo-crime a correr por maus-tratos a animais de companhia, nomeadamente 18 galgos que foram deixados a morrer à fome", frisou.

Apontando que "não há cidadãos intocáveis" e que "a tauromaquia não pode continuar a achar-se acima da própria lei", Inês Sousa Real afirmou que "a tauromaquia tem os dias contados".

Para a líder do PAN, esta manifestação mostra que "há uma sociedade em movimento que respeita e tem uma sensibilidade para com os animais e que não aceita que em Portugal, em plano coração da capital, se perpetue esta atividade".

A porta-voz do PAN, que estava acompanhada pela candidata à Câmara Municipal de Lisboa, Manuela Gonzaga, vestia uma camisola com a imagem de um galgo e de um touro onde se lia "Os animais não têm voz, mas têm-nos a nós, pelo fim da violência".

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