Presidente da Guiné Equatorial gostava de ver o papa em Fátima

"O meu Presidente, o meu Governo está disposto [a visitar Portugal] quando o Governo português o convide", disse o terceiro vice-primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Alfonso Nsue Mokuy

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, está disponível para visitar Portugal "quando for convidado" e, se coincidir com a deslocação do papa Francisco ao santuário de Fátima, "muito melhor", afirmou esta quinta-feira um governante equato-guineense em Lisboa.

"O meu Presidente, o meu Governo está disposto [a visitar Portugal] quando o Governo português o convide", disse o terceiro vice-primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Alfonso Nsue Mokuy, que esta quinta-feira participou numa conferência sobre direitos humanos e pena de morte na Guiné Equatorial, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa.

Questionado pela Lusa se Obiang tenciona deslocar-se a Fátima por ocasião da visita do papa, a 12 e 13 de maio, o ministro respondeu: "Se [esse convite] coincidir com a visita do papa, muito melhor".

O Presidente da Guiné Equatorial, país que aderiu à CPLP em 2014, nunca realizou uma visita oficial a Portugal e é conhecida a sua vontade de se deslocar ao santuário de Fátima.

Em outubro passado, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, convidou os chefes de Estado e de Governo da Cimeira Ibero-Americana para que visitem Fátima em maio próximo, por ocasião do centenário dos acontecimentos de 1917 na Cova da Iria.

Dias depois, na cimeira da CPLP em Brasília, Marcelo Rebelo de Sousa não esclareceu se convidou o Presidente da Guiné Equatorial a visitar Fátima, mas defendeu que impedir essa a visita a qualquer cidadão lusófono "seria oposto à ideia de mobilidade" na CPLP.

"Não são anjinhos, mas também não são Lúcifer"

Os governantes da Guiné Equatorial "não são anjinhos, mas também não são Lúcifer", acrescentou ainda em Lisboa o ministro equato-guineense, que repudiou relatórios de organizações internacionais que acusam as autoridades de desrespeitar os direitos humanos.

"Eu não digo que somos anjinhos, mas também não somos Lucífer", afirmou o terceiro vice-primeiro-ministro equato-guineense, Alfonso Nsue Mokuy.

O governante, que tem a pasta dos direitos humanos, acusou os Estados Unidos e Espanha, antiga potência colonial, de quererem denegrir a imagem da Guiné Equatorial.

Questionado sobre relatórios da organização Amnistia Internacional, que aponta violações sistemáticas de direitos humanos no país, Mokuy disse: "Dão uma informação para criar uma má imagem. 80% do que põem nos relatórios, que são editados pela embaixada dos EUA, são falsos".

Espanha, acrescentou, sempre "quis denegrir a imagem" da Guiné Equatorial.

"Há uma conspiração do Governo espanhol desde o golpe da liberdade, dizem que matamos pessoas, que há fome", relatou, aludindo à independência do país, em 1968.

Mokuy queixou-se de as autoridades não serem ouvidas nos fóruns internacionais.

"O meu país sempre foi incompreendido, nunca nos ouviram, mas condenam-nos. Tenho de ir a todos os fóruns do mundo, às Nações Unidas, aos organismos, para fazer ouvir a voz da Guiné Equatorial", disse.

"Dizem que no meu país há uma ditadura, que não há liberdades, que não há liberdade de expressão, de movimento, que não se pode fazer política. Um país com um milhão e 14 mil habitantes, tem 15 partidos políticos. Cada um é livre de fazer o que quer", garantiu.

Um dos maiores produtores de petróleo na África subsaariana, a Guiné Equatorial tem grande parte da população na pobreza e é acusada por diversas organizações da sociedade civil de violar direitos humanos.

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