Precisamos de usar máscara depois da vacina? A resposta é complexa

As pessoas vacinadas ainda podem transmitir o vírus e por isso, mesmo depois de terem tomado a vacina devem continuar a usar máscara e manter o distanciamento, avisam autoridades de saúde pública

As autoridades de saúde pública querem que as pessoas continuem a usar máscaras e a manter o distanciamento social, mesmo depois de terem sido vacinadas. Pode parecer contraintuitivo, pois se alguém toma a vacina é para ficar protegido.

A resposta é complicada: a grande maioria das pessoas vacinadas estará protegida contra covid-19 , a doença causada pelo vírus SARS-CoV-2. No entanto, as pessoas vacinadas ainda podem transmitir o vírus, embora não apresentem quaisquer sintomas.

"Sabemos agora que as vacinas podem proteger, mas o que não tivemos tempo suficiente para entender realmente é se protege contra a propagação do vírus"

"Sabemos agora que as vacinas podem proteger, mas o que não tivemos tempo suficiente para entender realmente é se protege contra a propagação do vírus", disse ao The Guardian Avery August, professor de imunologia da Universidade Cornell.

Isso acontece, explica este jornal britânico, porque o vírus SARS-CoV-2 ainda pode instalar-se nas vias respiratórias, mesmo que as células do sistema imunológico protejam todo o corpo da doença que ele causa, a covid-19.

Neste momento, os cientistas não sabem como as vacinas contra a covid-19 podem proteger contra a transmissão assintomática do SARS-CoV-2. Existem sinais promissores, mas a pesquisa permanece incompleta. Os investigadores também não sabem por quanto tempo as vacinas de covid-19 podem proteger as pessoas contra o vírus.

Segundo ainda o The Guardian, os cientistas também estão a analisar de que forma a evolução do vírus, as chamadas variantes , afetam a eficácia das vacinas. Os investigadores já descobrira, entretanto, que a eficácia da vacina Johnson & Johnson foi reduzida em relação à variante sul-africana.

Outro fator a ter em conta, assinala o jornal, é saber também até que ponto os adultos elegíveis aceitam a vacina. As crianças podem espalhar a doença, mas não são elegíveis para a vacina; algumas pessoas podem estar imunologicamente comprometidas demais para tomá-la; e outros podem enfrentar barreiras burocráticas à vacinação.

Para quê então a vacina?

É preciso pensar no uso de máscaras e no distanciamento social como um complemento nas estratégias de mitigação de risco em vigor, enquanto os cientistas conduzem pesquisas, mais e mais pessoas são vacinadas e a prevalência de covid-19 diminui.

Por exemplo, à medida que as vacinas continuam a ser distribuídas, pequenos encontros de pessoas vacinadas vão tornar-se mais comuns. Mas essas mesmas pessoas precisam ter cuidado com o distanciamento social e o uso de máscaras em público, pois podem transmitir a doença para a comunidade em geral.

A esperança é que, à medida que mais e mais pessoas forem vacinadas, menos pessoas terão casos graves de covid-19 e que a pressão sobre o sistema de saúde diminua com a prevalência da doença.

"Esperamos poder vacinar a maioria da população", disse ao The Guardian o Dr. Bruce Y Lee, professor de política de saúde da Escola de Saúde Pública da City University of New York . "É quando podemos começar a falar sobre como voltar ao normal."

Quando teremos essas respostas?

Os estudos sobre até que ponto as vacinas protegem contra a transmissão são contínuos e promissores, mas incompletos. É improvável que as vacinas forneçam proteção completa ou "esterilizante". São poucas as vacinas que podem dar essa garantia, incluindo, por exemplo, a vacina contra a varíola .

Em circunstâncias normais, estas interrogações seriam respondidas em testes clínicos de vacinas que duraram anos.

No entanto, se uma vacina reduzisse significativamente a transmissão, seria uma boa notícia para a capacidade mundial de conter o vírus. Em circunstâncias normais, estas interrogações seriam respondidas em testes clínicos de vacinas que duraram anos. Mas na atual situação, deter a doença era uma meta mais importante, e as vacinas disponíveis são eficazes nesse aspeto.

"Provavelmente saberíamos à medida que mais e mais pessoas fossem vacinadas, em algum momento perto de meados de setembro", assinala Avery August.

Porém, é importante ressaltar que as vacinas não precisam necessariamente de fornecer proteção completa para ajudar a combater a pandemia. "Se todos forem vacinados, haverá menos vírus ao redor", conclui o professor de Cornell.

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