Portuguesa queixa-se das condições de "hotéis-covid" em Itália

Sara Conceição está num "hotel-covid" em Florença desde 23 de julho e lamenta as condições precárias em que vive durante a quarentena.

Uma cidadã portuguesa que se encontra infetada com covid-19 em Itália lamentou as condições do "hotel-covid" em que está em isolamento, apontando dificuldades na comunicação, na alimentação e falta de apoio das autoridades portuguesas.

Sara Conceição está em Florença desde dia 23 de julho. Testou positivo à covid-19 dias depois, tendo sido transferida no dia 30 para "o que chamam 'hotel-covid'", contou à Lusa, por telefone.

Sara, que vive em França há sete anos, encontra-se num hotel que foi transformado num centro de acolhimento para pessoas que testaram positivo à doença provocada pelo SARS-CoV-2 e que não têm casa ou que não têm condições para estar em casa, acolhendo assim, também, estrangeiros no país que se encontrem nesta situação. O estabelecimento em que se encontra conta com cerca de 90 pessoas.

"Eu telefonei para o consulado e enviei uma exposição ao Gabinete de Emergência Consular a expor a situação, porque eu estou numa situação muito complicada do ponto de vista material e alimentar", afirma.

Foi-lhe dito que "não tinham meios para intervir nesta situação" e que "tinham outros 20 portugueses em Itália" em casos semelhantes.

Sara Conceição apontou que a alimentação no hotel em que está "é muito precária", não havendo distribuição de algumas refeições e que as que são entregues são "indescritíveis".

"No consulado disseram-me que não podiam fazer nada e eu expliquei que uma das grandes dificuldades era a comunicação, que nem toda a gente fala inglês. Aliás, no sítio onde eu estou, no meu conhecimento, há apenas dois médicos que falam inglês (...), mas eles não estão sempre aqui", expôs.

Para ultrapassar essa questão, Sara Conceição perguntou ao consulado se lhe poderiam indicar um intérprete, mas que este não tinha uma lista de contactos para fornecer.

Sara Conceição diz também ter tentado entrar em contacto com as autoridades sanitárias italianas, uma vez que quando foi transferida para o "hotel-covid", não lhe foram comunicados os seus direitos.

"Eu também tentei entrar em contacto com as autoridades sanitárias italianas porque quando fomos transferidos para aqui não nos foram explicados quais eram os nossos direitos, se podemos ir embora, se podemos pedir transferência para outro lugar. Não sabemos. Aquilo que nos disseram foi que se saíssemos íamos [ser] presos, o que é uma ameaça um pouco exagerada numa situação que já é de si delicada", explicou.

A portuguesa diz também que não sabe quando sairá do hotel em que está, uma vez que lhe foi comunicado que, ao contrário das infeções por outras variantes, os casos de covid-19 com a variante delta não têm um período de máximo de isolamento.

"Do ponto de vista psicológico e físico é muito complicado o facto de estarmos numa situação de quarentena sem data de fim", referiu.

Apesar de compreender que as autoridades portuguesas não possam intervir -- quer pela falta de meios, quer pelo cumprimento da lei italiana --, Sara lamentou que não haja "um apoio mínimo" às situações que enfrenta.

"Talvez pudesse haver um apoio mínimo, algum tipo de intervenção, em relação a alguma destas questões, porque o objetivo não é deixar de cumprir a lei italiana, mas puder cumpri-la em condições que sejam menos precárias e menos incertas do que esta", sugeriu.

"Sinto-me extremamente cansada, porque me sinto fisicamente debilitada -- imagino que pela covid-19 e pela fraca alimentação que tenho tido --, mas também porque todos os dias tem sido um combate para procurar informações, para saber se podia sair daqui", concluiu a portuguesa.

Contactado pela Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse ter "conhecimento de casos de cidadãos nacionais em quarentena em Itália".

"Estas situações são acompanhadas pela Embaixada de Portugal em Roma que, em contacto com as autoridades italianas, procura assegurar que são garantidas as necessárias condições de alimentação, salubridade e saúde dos cidadãos nacionais afetados", referiu fonte do gabinete da Secretária de Estado das Comunidades.

Na resposta, as autoridades portuguesas constataram que "as deslocações não essenciais para Itália são feitas em desconsideração pela informação constante nos Conselhos aos Viajantes disponíveis no Portal das Comunidades, bem como na página da Embaixada de Portugal em Roma, que desaconselham viagens não essenciais a Itália desde o passado dia 16 de julho".

De igual forma, a fonte do gabinete governamental concluiu que "não está prevista qualquer operação de repatriamento dos cidadãos que optaram por assumir o risco da deslocação em viagens não essenciais, contrariando as recomendações das autoridades consulares portuguesas".

De acordo com o mais recente balanço das autoridades italianas, o total de infeções desde o início da pandemia do novo coronavírus em Itália, em fevereiro de 2020, ascende a 4.413.162, enquanto o de mortes se situa em 128.304.

Atualmente, Itália conta com mais de 118 mil casos ativos de covid-19.

A covid-19 provocou pelo menos 4.314.196 mortes em todo o mundo, entre mais de 203,9 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.

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