Internamentos e R(t) baixam em dia com 15 mortes e 3203 novos casos

O país contabiliza agora um total de 977 406 casos e 17 412 óbitos desde o início da pandemia.

Portugal registou mais 3 203 casos e 15 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, indica o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira, 4 de agosto.

Há agora 47 374 casos ativos de infeção por SARS-CoV-2, menos 103 do que na véspera, em que também se tinha registo uma diminuição.

O país contabiliza agora um total de 977 406 casos e 17 412 óbitos desde o início da pandemia.

Relativamente a hospitalizações, há agora 919 pessoas internadas (menos 26 do que no dia anterior e menos 49 do que na segunda-feira), 204 das quais em unidades de cuidados intensivos (registo igual ao da véspera).

O boletim da DGS aponta também que há mais 3290 recuperados da doença, num total de 912 620.

Lisboa e Vale do Tejo foi a região que registou mais novos casos (1262), seguida de Norte (1035), Centro (356), Algarve (297), Alentejo (138), Açores (64) e Madeira (51). Os óbitos foram distribuídos por Norte (sete), Lisboa e Vale do Tejo (cinco), Centro (dois) e Algarve (um).

A taxa de incidência baixou de 403,1 para 384,5 casos por covid-19 por 100 mil habitantes no continente e de 394,6 para 376,9 a nível nacional.

Já o R(t) diminuiu de 0,94 para 0,92 tanto a nível nacional como no continente.

Sintomas de longa duração são raros nas crianças

A maioria das crianças que contrai covid-19 recupera em menos de uma semana e apenas algumas ainda têm alguns dos sintomas mais comuns após um mês, segundo um estudo publicado na terça-feira no The Lancet.

A investigação, liderada por peritos do King's College London (UK), analisou 1.734 pacientes sintomáticos com idades entre os 5 e 17 anos, com base em dados recolhidos numa aplicação móvel por pais e prestadores de cuidados envolvidos no projeto "ZOE COVID".

A principal conclusão é que os casos com sintomas duradouros são "raros", diz uma das autoras do estudo, Emma Duncan, professora do King's College, numa declaração.

"É reconfortante saber que o número de crianças que experimentam sintomas de covid-19 de longa duração é baixo. No entanto, um pequeno número de crianças sofre de doenças prolongadas", apontou.

Especificamente, dos 1.734 positivos relatados na aplicação móvel, apenas 77 (4,4%) ainda tinham pelo menos dois dos três sintomas mais comuns (fadiga, dor de cabeça e perda de cheiro/ gosto) após quatro semanas.

Além disso, o estudo concluiu que após oito semanas, praticamente todos (98,2%) dos que apresentavam sintomas tinham recuperado.

A fadiga, os investigadores notam, foi o sintoma mais prevalente neste grupo (84%), enquanto 77,9% também sentiu dor de cabeça e perda de cheiro/ sabor, respetivamente, em alguma fase da doença.

A este respeito, os peritos indicam que a dor de cabeça é o sintoma mais comum no início da doença, enquanto a perda de cheiro/ gosto aparece mais tarde e permanece por um período de tempo mais longo.

O estudo encontrou diferenças na duração média da doença entre crianças do ensino primário (5-11 anos de idade) e do ensino secundário (12-17 anos de idade): nas crianças mais velhas, a covid-19 durou em média sete dias, em comparação com cinco dias nas crianças mais novas.

Descoberto mecanismo que pode explicar maior ou menor gravidade da infeção

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) descobriram um mecanismo, associado a uma alteração nos linfócitos T, que pode explicar porque é que a infeção pelo SARS-CoV-2 causa doença leve ou doença grave nos indivíduos.

Em comunicado, o instituto da Universidade do Porto revela esta quarta-feira que os investigadores descobriram um mecanismo que "pode explicar o motivo pelo qual a infeção pelo SARS-CoV-2 causa doença leve ou mesmo assintomática em alguns indivíduos e doença grave e complicada noutros".

Os resultados do estudo, financiado no âmbito da iniciativa 'Research 4 Covid' da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), foram publicados na revista The Journal of Immunology e o artigo foi destacado como um 'top reader' da edição de setembro.

O estudo, liderado pela investigadora Salomé Pinho, mostrou que as células T circulantes "trocam os seus glicanos [moléculas de açúcar] de forma específica após a infeção com o SARS-CoV-2" e que essa alteração é "mais pronunciada" em indivíduos assintomáticos do que sintomáticos.

"Está assim identificada uma resposta imunológica, baseada em formas glicosiladas de linfócitos T, que confere proteção contra o vírus", assegura o instituto.

A mudança no perfil de glicosilação na resposta imunológica após a infeção pelo SARS-CoV-2 "parece ser desencadeada por um fator inflamatório presente no plasma dos indivíduos".

Segundo a investigadora Salomé Pinho, esta glico-assinatura específica de células T, mais pronunciada em pacientes assintomáticos, "pode ser detetada no diagnóstico" e constituir um "novo biomarcador de prognóstico e de gravidade covid-19, bem como um novo alvo terapêutico".

Paralelamente, a equipa de investigação demonstrou que, em doentes assintomáticos, as células mononucleares do sangue exibem uma "expressão aumentada de uma proteína específica", capaz de reconhecer eficientemente o vírus e cujos níveis de expressão em monócitos [células inflamatórias que pertencem à primeira linha de defesa] foram correlacionados com "um melhor prognóstico do doente".

Também citados no documento, Inês Alves e Manuel Vicente, primeiros autores do estudo, dizem ser importante salientar que este mecanismo associado à infeção pelo SARS-CoV-2 "pode estar associado a outro tipo de infeções víricas respiratórias, o que abre novas oportunidades de investigação noutras doenças infecciosas".

O papel das células T na resolução ou exacerbação da covid-19, bem como o potencial para fornecer proteção a longo prazo contra a reinfeção pelo SARS-CoV-2, "ainda está por desvendar na sua totalidade", salienta o i3S.

A investigação contou a colaboração do Centro Hospitalar Universitário do Porto e do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

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