Plataforma online vai indicar os custos dos problemas sociais

Medir o impacto da inovação social não é fácil e é feito caso a caso. Uma das formas é calcular o dinheiro poupado com a prevenção de problemas sociais

Os projetos de inovação social resolvem problemas como facilitar a comunicação dos refugiados, ajudam daltónicos em todo o mundo ou criam emprego dando formação de código informático. Com aplicações tão diversas torna-se difícil medir o seu impacto. No entanto, uma das formas de o fazer é calcular as poupanças que estas podem trazer para o Estado, entidade que teria de lidar com muitos destes problemas.

O que levou o Laboratório de Investimento Social da Fundação Gulbenkian a preparar uma plataforma online - One Cost -, ainda em preparação, onde vão estar elencados vários custos de problemas sociais. Como os gastos com diabetes, com urgências, crianças institucionalizadas ou presos. "Serão 70 indicadores do custo fiscal per capita de cada problema", antecipou João Farinha, do gabinete da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, durante a apresentação aos jornalistas da conferência "Novas Perspetivas para a Inovação Social", que se realiza em Lisboa, na segunda e terça-feira. O governo está a colaborar com o projeto ao fornecer os dados que vão ser usados.

O que significa se um empreendedor quiser lançar um projeto para prevenir a retirada de crianças às famílias, vai poder usar como referência do seu impacto social, o custo de cada criança institucionalizada, como uma poupança que consegue. Ou se quiser evitar falsas urgências, vai poder usar o custo de cada urgência como indicador do impacto do seu projeto.

A análise do impacto da inovação social faz-se assim "caso a caso", sublinhou Filipe Almeida, presidente da Portugal Inovação Social. "Tem que ter impacto na qualidade de vida das populações." António Miguel, coordenador do Laboratório Social da Fundação Calouste Gulbenkian, acrescentou que outro indicador "é se traz uma melhoria da eficiência da alocação de dinheiros públicos". "Se o prevenir o risco de crianças serem institucionalizadas, estamos a poupar esse dinheiro ao Estado."

Mais Notícias

Outras Notícias GMG