Plano de recuperação. Escolas vão poder contratar mais professores

"Plano 21 | 23 Escola +" resulta das decisões tomadas por uma equipa multidisciplinar constituída pelo governo. Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) espera por "decisões orientadoras e não obrigatórias".

As escolas deverão ter autorização para contratar mais professores, técnicos especializados e profissionais não docentes para o próximo ano letivo. Segundo soube o DN esta é uma medida considerada essencial pelos responsáveis escolares para que seja possível colocar em prática o plano de recuperação de aprendizagens nos próximos dois anos letivos, batizado como "Plano 21 | 23 Escola +".

As medidas aprovadas pelo Ministério da Educação para se tentar combater no setor da Educação os efeitos da epidemia de covid-19 devem ser conhecidas hoje e a expectativa é que o reforço de meios humanos seja autorizado.

As decisões a anunciar surgem como resultados do trabalho de uma equipa multidisciplinar constituída pelo Governo - da qual fizeram parte docentes, diretores de estabelecimentos escolares, psicólogos e várias personalidades ligadas ao setor da Educação.

Entre as associações ouvidas por este grupo de trabalho esteve a ANDAEP. Filinto Lima, diretor da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas explicou que pediu algumas medidas, consideradas "fundamentais". "Pedimos mais recursos humanos, com a possibilidade de aumentar o crédito horário que os agrupamentos podem atribuir aos professores, bem como mais técnicos especializados, como psicólogos, mediadores, etc. Este ano letivo já foram contratados mais 900 técnicos, mas no próximo ano o número tem de crescer. Fazem um trabalho de retaguarda muito importante. E, não menos importante, pedimos para que não elaborassem um documento obrigatório, mas sim com orientações e recomendações para que cada escola o possa seguir conforme as suas necessidades, atribuindo autonomia aos agrupamentos. Não pode ser um documento de sentido único", explicou.

Filinto Lima diz estar "muito expectante", pois trata-se de algo a aplicar "durante dois anos". "Apesar de as escolas não estarem paradas e já estarem a implementar medidas para recuperação de aprendizagens, a verdade é que os próximos dois anos vão ser de mais trabalho na Educação e na saúde mental dos nossos jovens", sublinha. O também diretor do Agrupamento de Escolas de Dr. Costa Matos diz olhar com maior preocupação para os alunos do 1º ciclo, os que "mais sofreram com a falta presencial dos professores e aqueles que mais precisam de consolidar aprendizagens".

Sindicatos não foram ouvidos

André Pestana, coordenador nacional do Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P) lamenta não ter sido ouvido pela equipa multidisciplinar responsável pela elaboração do "Plano 21 | 23 Escola +". "Não fomos convidados a participar em qualquer reunião. Não receemos nada, nem tem pouco um email informativo. Tudo indica que é, mais uma vez, uma decisão unilateral do Ministério da Educação. É mais um exemplo de prepotência a que nos têm habituado. No mínimo, mostravam abertura para o diálogo", lamenta.

André Pestana diz não estar, por isso, "otimista quanto às medidas a anunciar". "Estamos expectantes, mas face à postura deste ME, não temos razões para estar com grande otimismo. Têm-nos mostrado que, quando fazem reuniões, não há discussões realmente sérias. Já houve reuniões em que tivemos intervenções de três/quatro minutos. Desta vez, nem sequer isso fizeram. Não chamaram os sindicatos para serem ouvidos em algo tão importante como este tema", sublinha. O responsável pelo S.T.O.P espera que "o cansaço sentido pelos professores e alunos depois de mais um ano atípico tenha sido tido em conta".

"Já anteriormente falamos da importância desta realidade. Já começamos o ano letivo com uma carga acrescida de trabalho. O que aconteceu é que o ME, mais uma vez, não foi coerente com as suas afirmações. Por um lado, exaltou o esforço dos professores, mas arrancou o ano letivo com exames a decorrer e reduziu as pausas letivas. Nem os professores, nem os alunos são máquinas. Não se consegue recuperar aprendizagens sobrecarregando os sujeitos que já estão cansados depois de 2 anos atípicos", explica. O coordenador nacional do S.T.O.P diz receber muitas queixas de docentes devido à sobrecarga de trabalho.

"Há um número significativo de professores à beira de Burnout e não se pode ignorar essa realidade", pede. André Pestana afirma ainda ser necessário olhar para a realidade de cada escola, onde "a pandemia foi vivida de forma diferente". "Houve discrepância por vários motivos. Em alguns casos, houve alunos sem meios informáticos para assistir às aulas à distância ou vários surtos em agrupamentos. Isso deve ser tido em conta no plano de recuperação. Deve permitir-se que os professores, que sabem o que aconteceu aos seus alunos e à sua disciplina, possam decidir o que é melhor para a sua realidade", diz. André Pestana, relembra também as "dificuldades já sentidas antes da pandemia com os programas demasiado extensos, que se agravaram". A diminuição dos programas é obrigatória. É irrealista cumprir o programa. Não se consegue aprofundar temáticas. No futuro, os programas devem ser mais realistas e esperamos que esta seja uma das medidas do plano", conclui.

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