Plano de combate acelera testagem e vacinação nos mais jovens em Lisboa

Aumento de casos na capital é preocupante, mas não alarmante, diz secretário de Estado Adjunto e da Saúde. Testagem reforçada em escolas, nos transportes, em zonas de diversão noturna e em restaurantes começa já esta semana. Vacinação também vai ser acelerada, mas em todo o país. Faixas etárias dos 40 e 30 anos, começarão a ser vacinadas a 6 e 20 de junho, respetivamente.

O primeiro-ministro disse ontem que Lisboa não é diferente de outras zonas do país, dando a entender que em cima da mesa pode estar a decisão de recuo no desconfinamento, mas para o Presidente da República está fora de hipótese outro confinamento. Marcelo Rebelo de Sousa disse mesmo ontem à tarde aos jornalistas estar "fora de causa o estado de emergência, em qualquer caso", justificando esta afirmação com o facto de o número de novos casos não ser por si só alarmante.

O presidente referiu que, neste momento, não há pressão sobre os serviços de saúde, o aumento de casos não se está a traduzir num aumento de internamentos nem de óbitos e que hoje temos uma arma que não tínhamos há um ano: a vacinação, acreditando que "com a vacinação que já existe e com a que virá mais acelerada, o número de casos será controlado".

A grande questão agora é se Lisboa deve ou não recuar no desconfinamento. Para os especialistas, Lisboa é Lisboa, pela sua dimensão, e só por esta razão pode ser-lhe permitido "correr alguns riscos, mas de forma controlada", como disse ao DN Carlos Antunes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Ao mesmo tempo da conferência de imprensa no INSA, o Presidente da República dizia estar fora de questão a hipótese de se voltar ao confinamento em Lisboa.

O certo é que o aumento do número de casos na capital desde o início de maio tornou-se numa grande preocupação, embora não seja alarmante, como o referiu ontem o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, na conferência de Imprensa realizada no Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), onde foram anunciadas várias medidas controlar a evolução da doença. "É um sinal de alerta, não de alarme", frisou o governante, admitindo haver medidas que têm de ser tomadas.

Lisboa atingiu ontem os 145 casos diários por 100 mil habitantes, podendo atingir daqui a duas semanas os 240 casos diários por 100 mil habitantes, confirmou o diretor do Departamento de Informações da Direção-Geral da Saúde, André Peralta. Mas, neste momento, é também a região do país mais atrasada no processo de vacinação, tendo apenas "32% da população com uma dose da vacina", afirmou o presidente do INSA, Fernando Almeida.

Duas situações que determinaram o combate à doença através do reforço da testagem, com antecipação de ações que estavam já agendadas em escolas, universidades e institutos politécnicos, residências universitárias, zonas de convívio, centrais de transportes, mas também na antecipação da vacinação às faixas etárias mais jovens.

A 6 de junho começam a ser vacinados os maiores de 40 anos e a 20 de junho os maiores de 30 anos. Mas esta antecipação na vacinação nos mais novos, segundo confirmou ao DN fonte da task force, vai acontecer em simultâneo no país.

O mesmo acontecerá também na aceleração das faixas etárias dos 60 aos 69 anos e dos 50 aos 59 anos. Segundo explicou a mesma fonte, as Administrações Regionais de Saúde que estão mais atrasadas irão receber mais doses de vacinas para poderem vacinar rapidamente estas faixas etárias. A meta é a imunidade de grupo, que, se tudo correr bem, poderá ser atingida no início de agosto.

É preciso sensibilizar e informar a população e institurições devem funcionar em articulação, defendeu presidente do INSA, Fernando Almeida.

No início da conferência de ontem, Lacerda Sales fez questão de mencionar que as armas que temos hoje são diferentes das que tínhamos há meses e que vão estar no terreno já a partir desta semana, o presidente do INSA e coordenador da task force para a testagem passou também a mensagem que, neste momento, é preciso "sensibilizar a população para que aceite ser testada, é preciso informar para que tenham noção dos riscos que se corre, é preciso que as instituições colaborem e que se funcione de forma articulada.

No final, disse, "sou um otimista", como querendo assinalar que a situação será controlada, mas que todos, desde instituições a cada cidadão têm de colaborar. As ações de testagem que serão levadas a cabo em parceria com equipas da Câmara Municipal de Lisboa, da DGS, do Infarmed, do INSA e da Cruz Vermelha começam esta semana nas escolas do 2.º ciclo, na quinta-feira, dia 27 de maio, e prolongam-se pelos dias 31 e 1 de junho.

Depois seguem para as escolas do 3.º ciclo e secundário entre os dias de 14 a 18 de junho, e nas universidades e politécnicos a partir do dia 23 de junho. Fernando Almeida explicou ainda que nos contactos tidos com os estabelecimentos do ensino superior, cerca de 23, entre universidades e politécnicos, todos se mostraram disponíveis para antecipar e reforçar as ações de testagem programadas.

Nas residências de universitárias tais ações começarão na sexta-feira, tendo o presidente do INSA referido que estão a decorrer contactos para que a testagem seja também possível nas residências privadas.

Lisboa está com 145 casos diários por 100 mil habitantes e com um R (t) de 1.14. Daqui a duas semanas poderá atingir os 240 casos diários por 100 mil habitantes.

Mas esta semana, a 28 de maio, começa também a testagem na rua junto das populações mais vulneráveis, como imigrantes, sem-abrigo e com dependências. Uma ação que decorrerá com equipas da CML, INEM e do SICAD.

No mesmo dia, as equipas de rua irão também para as zonas de diversão noturna. A saber: Cais do Sodré, 24 Julho, Bairro Alto e São Pedro de Alcântara, onde se tem observado maior aglomeração de jovens e de adultos. Nas áreas de centrais de transportes, como Gare do Oriente, a partir de 31 de maio, vão estar também equipas móveis para a testagem, dado que à capital chegam diariamente milhares de pessoas de concelhos vizinhos. E o mesmo vai ser feito em zonas de grande concentração de restaurantes, comércio e hotelaria.

Lisboa é agora o foco, mas o reforço de testagem deverá chegar a todos as regiões que registem um R (t) elevado. Segundo afirmou André Peral, da DGS, na conferência de imprensa, a incidência da doença começou a baixar em algumas freguesias do centro da capital, mas que a transmissão está a passar para concelhos vizinhos. A questão em cima da mesa é: Lisboa deve ou não recuar no confinamento. Políticos e peritos vão voltar a reunir no Infarmed para avaliarem a situação.

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