CML. PJ apreendeu documentos, telemóveis e computadores

De acordo com o inspetor chefe Bruno Miguel, em declarações à TSF, é prematuro dizer que Manuel Salgado, vereador do urbanismo na altura dos factos investigados, é suspeito.

A Polícia Judiciária apreendeu documentos, telemóveis e computadores nas buscas realizadas esta terça-feira à Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito de uma operação que visa investigar oito processos relacionados com o departamento de urbanismo daquela autarquia.

A revelação foi feita à rádio TSF pelo inspetor chefe Bruno Miguel, da unidade nacional de combate à corrupção, que disse ser ainda cedo para perceber se as provas recolhidas são suficientes para confirmar as suspeitas, uma vez que essa análise apenas será feita mais adiante, podendo ainda verificar-se novas buscas no município ou noutros locais, afinal há oito investigações em curso que foram originadas por denúncias realizadas entre 2015 e 2019.

À TSF, o inspetor chefe Bruno Miguel não confirma se Manuel Salgado, vereador do urbanismo na altura dos alegados crimes, é suspeito, assumindo ser uma fase muito prematura do processo de investigação, cujas buscas foram simplesmente para recolha de prova.

As operações, dirigidas pelo Departamento de Investigação e Ação Penal, decorreram em Lisboa, em Sintra, Cascais, Caldas da Rainha e Alvor.

De acordo com um comunicado da PJ estão em causa suspeitas de crimes cometidos no exercício de funções públicas, nomeadamente, abuso de poder, participação económica em negócio, corrupção, prevaricação, violação de regras urbanísticas e tráfico de influência.

Também em comunicado a autarquia liderada por Fernando Medina adiantou que esta ação da PJ surge na sequência de "várias denúncias, incluindo participação ao Ministério Público pelo próprio Município na empreitada na Segunda Circular cancelada pela autarquia, a processos urbanísticos (Hospital da Luz, Torre da Av. Fontes Pereira de Melo, Petrogal, Plano de Pormenor da Matinha, Praça das Flores, Operação Integrada de Entrecampos, Edifício Continente, Twin Towers, Convento do Beato) e empreitadas: Segunda Circular, São Pedro de Alcântara e Piscina Penha de França".

Neste documento a autarquia presidida por Fernando Medina sublinha que "tanto a empreitada anulada pelo Município na Segunda Circular, como a Torre de Picoas e Hospital da Luz, já tinha sido adiantado, pela Procuradoria-Geral da República, estarem a ser alvo de investigação ao jornal Público, em 18 de julho de 2017. As diligências hoje efetuadas são as primeiras que a Câmara tem conhecimento sobre estes processos".

É, também, garantido que o "Município facultou toda a documentação e prestou toda a colaboração ao Ministério Público e PJ, como sempre acontece quando solicitado".

Segundo a PJ participaram nas buscas desta terça-feira - dez domiciliárias e 18 não domiciliárias - 90 inspetores da Polícia Judiciária (Unidade de Combate à Corrupção e da Unidade de Perícia Tecnológica e Informática) e seis magistrados do Ministério Público.

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