Peixe-palhaço sob ameaça do aquecimento de águas oceânicas

Estudo publicado pela revista Nature Communications diz que aquecimento tem danificado as anémonas-do-mar que servem de lar ao peixe colorido, que ganhou fama com o filme À Procura de Nemo, em 2003

O peixe-palhaço está sob ameaça do aquecimento das águas oceânicas. Um estudo publicado pela revista Nature Communications indica que o calor tem causado estragos nas anémonas-do-mar, que servem de lar ao peixe colorido, tornado famoso em 2003 pelo filme À Procura de Nemo.

O peixe em causa também é conhecido por peixe de anémona, pois utiliza essas estruturas como abrigo e lá que coloca os seus ovos e cria os descendentes, mantendo as anémonas limpas em troca. As anémonas, por sua vez, são criaturas marinhas invertebradas que vivem em simbiose com algas e fornecem comida, oxigénio e cor.

A equipa de pesquisa monitorizou 13 pares de peixes-palhaços na ilha de Moorea, na Polinésia Francesa, no sul do oceano Pacífico, durante e depois do fenómeno meteorológico El Niño que, em 2016, causou grande branqueamento de corais quando o oceano aqueceu. Metade das anémonas monitorizadas branqueou e expulsou as algas que viviam sobre elas, o que acontece em resposta a situações como o aquecimento oceânico ou polução.

"Entre os peixes-palhaços que vivem nas anémonas branqueadas, os cientistas observaram uma queda drástica (-73%) no número de ovos viáveis", pode ler-se numa declaração do instituto de pesquisa francês The National Center for Scientific Researsh (CNRS). Paralelamente, não foram observadas alterações entre os peixes residentes em anémonas não branqueadas. A saúde das anémonas e dos peixes acabou por melhorar três a quatro meses depois do término do aquecimento.

O aquecimento oceânico, contudo, deverá tornar-se mais frequente à medida que a temperatura média global aumenta. Em 2015, no acordo de Paris, cerca de 200 países concordaram em limitar o aquecimento dos níveis industriais a dois graus Celsius.

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