Liga dos Bombeiros critica divulgação avulsa de relatórios

Para Marta Soares, "dar a conhecer avulsamente estas conclusões não contribui muito para a exigência que se tem que ter sobre a independência da preparação de um documento final"

O presidente da Liga dos Bombeiros considerou esta sexta-feira pouco sensato, por parte do Ministério da Administração Interna, dar "conhecimento avulso" dos relatórios das diversas entidades sobre o incêndio de Pedrógão Grande.

"Não me parece muito sensato estar a dar conhecimento de algumas conclusões avulsas porque podem ter implicações na estabilidade necessária e independente de todos os que estão no terreno e têm responsabilidade de ainda fazer relatórios", disse Marta Soares na cerimónia de entrega de 500 equipamentos individuais de bombeiros a 100 associações.

Para o responsável da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), "dar a conhecer avulsamente estas conclusões não contribui muito para a exigência que se tem que ter sobre a independência da preparação de um documento final" sobre os acontecimentos de Pedrógão Grande, Leiria, que, a 17 de junho, provocaram a morte de 64 pessoas e ferimentos a cerca de 200.

Questionado sobre os constrangimentos provocados nas comunicações por falhas no SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal), Marta Soares lembrou que a Liga já tinha alertado para esse facto na altura dos acontecimentos.

"Em relação ao SIRESP já tínhamos dito que é um 'flop' se o sistema não for alterado. Tem condições técnicas para ser uma boa ferramenta, mas assim não", referiu.

Sobre a descoordenação de meios de combate e socorro, outra das conclusões apontada pela ministra Constança Urbano de Sousa na conferência de imprensa de quarta-feira, o presidente da Liga considerou que essa é "única e exclusivamente da responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção Civil, dado que é ela que tem o comando", ressalvando que "os bombeiros são apenas operacionais" no terreno e que cumprem ordens.

"Espero que a Autoridade Nacional de Proteção Civil faça uma avaliação profunda, responsável e isenta e, se tiver cometido erros, deve assumi-los", acrescentou.

Marta Soares lembrou que a LBP elaborou uma lista de 28 perguntas sobre os incêndios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, para as quais exige respostas urgentes e objetivas por parte das várias entidades responsáveis, nomeadamente da comissão independente recentemente criada.

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